
A frase que dá título a este texto eu já ouvi milhões de vezes. Em casa, na escola, na faculdade, em algumas rodas de amigos. De tanto que foi dita, ela pode até parecer clichê. Entrar por um ouvido e sair noutro, sem ser assimilado pelo cérebro. No meio do corre-corre da vida, com tanta coisa pra pensar, tantas metas a cumprir, tantos horários, regras, pudores. A gente nem percebe como a vida se torna monótona e fria quando se pratica somente o arroz com feijão.
O que é o arroz com feijão? É acordar, tomar café, ir ao trabalho, almoçar, voltar do trabalho e... dormir. É chegar em casa, deitar na cama e não ter uma novidade para contar pra família. É descobrir que não houve emoção nas últimas 24 horas. Um dia depois do outro. E outro... e outro... e outro...
Como um remédio, a arte nos faz ver a vida com um outro olhar. Mais colorido, poético. Bem mais emocionante. Quando me refiro à arte não quero dizer somente o erudito, a ópera, a pintura européia, os grandes castelos. É tudo aquilo que se inventa, que se ousa, que realmente transforma as pessoas.
Acabo de sair da Praça da Estação onde assisti ao belo espetáculo K@osmos, durante o Festival Internacional de Teatro (FIT-BH). Mais impressionante que ver oito artistas se aventurarem a 40 metros de altura foi observar o público. Todos olhavam para o céu admirados, surpresos com tudo aquilo que lhes era oferecido – de graça. Muitos saíram de casa só para ver o espetáculo, outros passavam por ali e resolveram parar pra ver um pouquinho.
Aposto que todos aqueles que pelo menos passaram por ali chegaram em casa e contaram pra família o que viram. E que, pelo menos por um tempinho, eles entenderam o significado de palavras como beleza e ousadia. O que é isso? Arte. Uma arte acessível que convida o leigo a entrar no seu universo – pra nunca mais sair.
Hoje, minha memória ganhou mais uma bela cena para me acompanhar pro resto da vida. Muita gente deve ter sentido a mesma coisa.
(o texto acima foi escrito na madrugada do dia 5 de agosto. Só hoje tive tempo de publicar)
Foto: Gabriel Araújo (oficina fotografia FIT)




