sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sim, a arte nos faz crescer




A frase que dá título a este texto eu já ouvi milhões de vezes. Em casa, na escola, na faculdade, em algumas rodas de amigos. De tanto que foi dita, ela pode até parecer clichê. Entrar por um ouvido e sair noutro, sem ser assimilado pelo cérebro. No meio do corre-corre da vida, com tanta coisa pra pensar, tantas metas a cumprir, tantos horários, regras, pudores. A gente nem percebe como a vida se torna monótona e fria quando se pratica somente o arroz com feijão.

O que é o arroz com feijão? É acordar, tomar café, ir ao trabalho, almoçar, voltar do trabalho e... dormir. É chegar em casa, deitar na cama e não ter uma novidade para contar pra família. É descobrir que não houve emoção nas últimas 24 horas. Um dia depois do outro. E outro... e outro... e outro...

Como um remédio, a arte nos faz ver a vida com um outro olhar. Mais colorido, poético. Bem mais emocionante. Quando me refiro à arte não quero dizer somente o erudito, a ópera, a pintura européia, os grandes castelos. É tudo aquilo que se inventa, que se ousa, que realmente transforma as pessoas.

Acabo de sair da Praça da Estação onde assisti ao belo espetáculo K@osmos, durante o Festival Internacional de Teatro (FIT-BH). Mais impressionante que ver oito artistas se aventurarem a 40 metros de altura foi observar o público. Todos olhavam para o céu admirados, surpresos com tudo aquilo que lhes era oferecido – de graça. Muitos saíram de casa só para ver o espetáculo, outros passavam por ali e resolveram parar pra ver um pouquinho.

Aposto que todos aqueles que pelo menos passaram por ali chegaram em casa e contaram pra família o que viram. E que, pelo menos por um tempinho, eles entenderam o significado de palavras como beleza e ousadia. O que é isso? Arte. Uma arte acessível que convida o leigo a entrar no seu universo – pra nunca mais sair.
Hoje, minha memória ganhou mais uma bela cena para me acompanhar pro resto da vida. Muita gente deve ter sentido a mesma coisa.

(o texto acima foi escrito na madrugada do dia 5 de agosto. Só hoje tive tempo de publicar)


Foto: Gabriel Araújo (oficina fotografia FIT)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Adorei o horário eleitoral

Começou hoje a minissérie brasileira de maior sucesso na televisão: o horário eleitoral gratuito.

Vocês não têm ideia do quanto eu me divirto assistindo esses programas. Há dois anos aguardo ansiosamente pelo início dessa experiência. É melhor que qualquer programa do Faustão, com direito à Arquivo Confidencial (nas imagens dos grandes candidatos à presidência, cheios de depoimentos açucarados) e, ao final, Pegadinhas e belas Vídeo Cassetadas.

Como tudo de muito bom ou ruim que a gente assiste na TV, é impossível guardar só para mim a resenha desses últimos 50 minutos. Devo lembrar: o que escrevo abaixo não tem caráter eleitoral. Meus votos continuam secretos.

1. O programa da Dilma foi nota 10. Se ela tivesse o traquejo do Lula para o vídeo, com certeza, emocionaria muita gente que assistiu ao seu primeiro programa na TV. Os jingles – em especial, o último, foi de arrepiar... O vídeo do Serra também foi muito bem feito, mas permaneceu frio... O da Marina poderia bem ser apresentado nas escolas amanhã; aula de biologia.

2. Fiquei com dó do Anastasia e Aécio por ser obrigado a abrir espaço no horário eleitoral de candidatos a deputado federal para duas “figuras ilustres” da política nacional: Roberto Jefferson (“O PTB tem a cara do Brasil”) e Edimar Moreira (dono do castelo).

3. A marca “Hélio + Patrus” é forçar demais a barra...

4. Vários candidatos enfatizaram ser “ficha limpa”. Obrigação agora virou adjetivo... É a mesma coisa que a criança chegar em casa e dizer “mãe, passei de ano com 60”. Merece a velha e boa resposta: “não fez nada mais que a obrigação”.

5. Adorei saber que “Mangabinha do Trio Parada Dura” quer tocar sua sanfona no Congresso Nacional. O comitê será no Bailão Sertanejo! Sai ônibus da Tamóios com Afonso Pena.

6. Não há tristeza maior que votar no “Reginaldo Tristeza”.

7. Tem umas figurinhas que dá vontade de quebrar a TV. Como a gente ainda pode aceitar tanta gente “boa”...

Bom, por enquanto é isso. Nunca 50 minutos passaram tão rápido.

Já combinei com minha mãe: nas férias, ela vai gravar tudinho pra eu assistir quando voltar, nos intervalos do Programa Silvio Santos. Ai ai ai ui ui...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Os mistérios da Clausura



É engraçado como, mesmo depois de muitos anos, nossa memória guarda pequenas cenas da infância; algumas delas sem sentido ou nenhum significado aparente.

Uma dessas cenas é recorrente na minha memória. É o meu olhar, pequeno, então com oito anos de idade, para uma porta de sucupira escura. Sobre ela, uma placa com a palavra “clausura”.

Eu estudava em colégio de freiras, com disciplina rígida e lendas fantasiosas. Para aquelas crianças, clausura era proibido, a casa das irmãs, o lugar secreto onde elas retiravam aqueles hábitos brancos. Pensava: será que elas usam chinelo? Como são os cabelos das irmãs? Elas têm cabelos? Dormem com aquele “vestidão”? As perguntas eram incontáveis, suficientes para encher a cabeça de um pequeno futuro jornalista de muitas hipóteses. Com certeza, foi essa a primeira investigação que tentei fazer na vida. Sem sucesso.

Cresci com a imagem da porta... Por medo, nunca atravessei aquela barreira. Poderia ser pecado... Mas a plaquinha da Clausura nunca saiu da minha cabeça. Um dia eu ainda iria conhecer aquele lugar tão misterioso ...

Pois, meus amigos, tenho o orgulho de informar-lhes que acabo de sair de uma clausura. Como visitante. Não só entrei, como tomei suco e comi pão de queijo com linguiça. Não era no misterioso Colégio São Judas Tadeu, em Contagem, nas no Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Rio de Janeiro. Aquele menino medroso cresceu e agora vai trabalhar a comunicação de cinco colégios católicos. Todos eles com clausura.
No colégio, ao passar pela porta cercada de mistérios, foi impossível não estampar um grande sorriso no rosto. Irmã Percila, que me acompanhava, notou que algo de errado estava acontecendo com aquele novo fornecedor. Tive que contar a ela toda a minha história imaginária com aquele espaço.

Matei a vontade, mas quero continuar lembrando dos mistérios criados pela cabeça daquele menino medroso. Seria tão bom se os medos de hoje em dia se resumissem apenas em uma porta fechada... A gente cresce e descobre que, na verdade, a vida é um emaranhado de portas. Cabe a nós abri-las e aproveitar o que está la dentro. Nem tudo são maravilhas, mas vale pela descoberta.

sábado, 12 de junho de 2010

Onde estarão meus brinquedos?



Quando pequeno, colecionava Comandos em Ação. Eu e meus primos Leonardo, Vinicius e Daniel nos divertíamos nos reunindo nas férias, feriados ou finais de semana para transformar nossos bonequinhos em um grande exército. Na imaginação, dávamos vida aquelas peças de plástico que cabiam exatamente na palma das mãos. Não sabíamos, mas éramos atores, dubladores, cenógrafos... e “imaginadores”, como toda criança é.

Crescemos, nossas mãos também, mas os bonecos permaneceram do mesmo tamanho. Quer dizer, eles desapareceram. Onde foram parar as dezenas de soldados do nosso Comandos em Ação? Sem falar naquela base (quartel general) enooorme, nos diversos tanques, jipes, motos... Esquecemos de nossos brinquedos de infância. Mas será que eles nos esqueceram?

Acabo de sair do cinema, onde assisti a pré-estreia de Toy Story 3, novo sucesso da Disney – que estreia na próxima sexta, dia 18. No filme, chega a hora de Andy, o dono dos brinquedos, ir para a faculdade. Mas o que fazer com aquele monte de bonecos? O final, vocês têm que ver.

Claro que a historia é de ficção, mas dá um aperto no peito quando lembramos dos nossos próprios brinquedos. Além dos Comandos em Ação, procuro na memória o paradeiro da casa dos Tunder Cats, do boneco Snoopy que ganhei quando Gabriel nasceu (mamãe disse que o boneco saiu de dentro da barriga dela – foi um presente do irmão recém chegado), assim como os vários velotrols, a primeira bicicleta verde com rodinhas, a lanchonete Mc Donalds...

A gente cresce, mas nunca perde um pedacinho da infância. Até alguns anos atrás, guardava escondido no armário uma caixa de sapatos com dezenas de carrinhos. Eu já “era grande”, brincar publicamente já não era mais possível. Tudo acontecia de portas trancadas. Bastava tocar naqueles brinquedos que minha cabeça enchia de ideias, diálogos, imaginações. Era o despertar da criatividade. Certo dia, a caixa havia sumido. Mamãe, que não sabia da minha “brincadeira secreta”, havia doado meus amigos para uma creche, assim como aconteceu em Toy Story 3.

Isso já deve ter acontecido com qualquer um que passou dos 12 anos. A gente cresce, os brinquedos mudam, mas sempre restam alguns objetos que ficam pra sempre na nossa memória.

Quantas pipas, carrinhos de rolimã, dúzias de bolinhas de gude, jogos de botão, bolas de futebol se perderam por aí? Bonecos de super-herois, ursos de pelúcia... ícones históricos da melhor parte da vida.

Fica a dica: veja o filme. Não se acanhe se der vontade de chorar. Saia do cinema e lembre-se que a brincadeira sempre tem que continuar.


sábado, 8 de maio de 2010

O livro está longe do fim

A situação me faz abrir a monografia escrita por mim em 2005 no encerramento do curso de graduação em jornalismo. Naquela época, inebriado pelo universo dos livros por conta do Sempre Um Papo, decidi pesquisar e escrever sobre o meu gênero literário preferido: a biografia.

Nas estantes do meu quarto, biografias é o que não faltam. De Chatô a Washington Olivetto; dos Matarazzo à Clara Nunes. De todos eles, um livro me chamou atenção desde antes de ler: “As vidas de Chico Xavier”, a história de um dos mais importantes homens do século 20, escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior.

Tive o prazer de conhecer o Marcel, em 2003, no Sempre Um Papo, por ocasião do lançamento da segunda edição de seu livro, exatamente um ano após a morte de Chico.

Fiquei impressionado com a história, o livro, o autor. Virei fã de carteirinha do Marcel e um curioso simpatizante sobre a história de Chico Xavier. Tanto que, para a biografia, resolvi analisar a repercussão de “As Vidas de Chico Xavier” na imprensa. Quase jornalista, católico, leitor voraz, meu desafio era entender porque o livro de Marcel conseguiu tanto espaço na mídia espontânea e as mais de 100 biografias anteriores, todas escritas por espíritas, não conseguiram emplacar matérias os grandes veículos de comunicação de massa.

Entre viagens frequentes para Brasília, Rio e Curitiba pelo Sempre Um Papo, devorei livros que explicavam da origem da doutrina espírita, desde Alan Kardek, até os critérios de noticiabilidade utilizados pela grande mídia. O resultado tem pouco mais de 50 páginas e foi parar na minha biblioteca.

Cinco anos se passaram... Saí do Sempre Um Papo, criei a Árvore de Comunicação. Por intermédio de meu amigo Luigi Zampetti, mês passado, fui apresentar a empresa para um empresário, dono de uma editora pequena. Era só isso que eu sabia ao entrar naquela sala com vista para a Serra do Curral. Lá, uma nova porta se abriu.

O possível cliente era Geraldo Lemos Neto. Empresário, menos de 50 anos, ele fora amigo de Chico quando ainda era adolescente. Conviveu com o médium por mais de 20 anos, até a sua morte, em 2002. Quatro anos depois, ele criou uma editora, a Vinha de Luz, só para publicar as obras inéditas psicografados por Chico. Enquanto ele contava as histórias, eu ria baixinho. Tudo se encaixava. Cinco anos depois, eu voltava a pesquisar a literatura de Chico Xavier. Agora profissionalmente.

É impressionante como todas as portas se abrem quando o assunto é Chico Xavier. Independente da religião, todos respeitam a sua história. Para o assessor de imprensa, é meio caminho andado.

Ontem fui a Pedro Leopoldo, cidade onde Chico nasceu, para o lançamento de seu primeiro livro, inédito até agora. Manuscrito, com desenhos de lápis de cor, é um caderno feito com capricho e amor. Agora, uma obra literária.

No lançamento, Cleide, a vendedora de livros não conseguia segurar a emoção. A casa obra vendida, uma lágrima no rosto. Lagrimas também escorreram na face da repórter de TV assim que chegou à Casa de Chico Xavier, hoje memorial em sua homenagem. “É incrível”, ela repetia.

Sim, é incrível.

Volto para BH com muito pique para continuar trabalhando em prol da divulgação de suas obras. O meu desafio, enquanto comunicador, é mostrar para o leigo que os livros de Chico Xavier são literatura, não evangelização. Falam de Deus, paz, amor, mas que mal há nisso? É um trabalho intenso, difícil, mas não impossível.

Depois de tanto movimento pró-Chico, já sinto que vou ter que escrever minha monografia novamente. Agora mais maduro, posso registrar não só o que li, mas também o que senti a respeito desse Mineiro do Século.

domingo, 18 de abril de 2010

Não tenham preconceito

Para estrear o som do meu carro novo, comprei um CD, digamos, diferente. Nada de pop rock, sertanejo ou MPB. Na banca das Lojas Americanas o título que mais me chamou atenção foi “I dreamed a dream”, de Susan Boyle.

Sim, comprei o CD daquela senhora que deixou todo mundo de boca aberta durante um show de calouros americano. Sim, ela é feia, velha, mas tem um vozeirão incrível. Comprei o disco por conta da sua história de determinação. Poderia ser a maior porcaria, mas quis dar a minha contribuição para o sucesso de sua carreira.

Mas o CD é surpreendente. A voz de Susan Boyle é compatível com a de Sarah Brightman, aquela ex-cantora do “Fantasma da Ópera” que ganhou o mundo em carreira-solo.

Bom, fica a dica. Praqueles que têm preconceito, coloquem a viola no saco e experimentem. Vocês vão se surpreender.

No meu carro, só toca ela.

domingo, 11 de abril de 2010

História vale mais que currículo

Quando tenho que recrutar algum profissional para trabalhar na Árvore de Comunicação costumo deixar de lado as regras de RH. Prefiro fazer do meu jeito.

De nada adianta ter um currículo excepcional, graduação, pós-graduação, inglês em não sei onde, se o sujeito não te olha nos olhos. Pior é quando uma moça aparece para a entrevista vestindo uma sainha ou o rapaz com uma camisa esgarçada.

Títulos não diferenciam mais ninguém. Todo mundo faz universidade, pós-graduação e até mestrado, mas poucos efetivamente sabem – e querem – trabalhar. Na área de comunicação, então, o caso é crítico.

Tem gente que acha que ser comunicador é simplesmente saber se comunicar com as coleguinhas de panelinha, isto é, falar com quem quer, a hora que quer, na linguagem que quer. Poucos colegas de profissão entenderam que ser comunicador é justamente circular por mundos diferentes dos seus, saber conversar com crianças e idosos, pobres e ricos. Somos profissionais genéricos e, por isso, temos que saber de tudo um pouco.

É de morrer quando pergunto a um estudante de jornalismo o que ele está lendo e recebo como resposta “os livros da faculdade”. Mas só isso? Pior ainda é quando o ser responde “mas não dá tempo”...

Meio século atrás, jornalismo era feito por vocação. Os repórteres eram advogados, médicos, intelectuais que tinham aptidão para a transmissão do conhecimento. Acredito que num futuro próximo, voltaremos como no passado. Teremos muitos comunicadores diplomados, mas poucos efetivamente com o dom. Esses vão se sair bem no mercado.

Escrevi isso tudo a partir de uma visita ao site da Rádio Itatiaia. Lá, li o currículo de Eduardo Costa, sem dúvida o melhor jornalista de Minas Gerais. Antes e seus títulos – que são muitos – na primeira frase ele informa que foi ascensorista e office-boy de hotel. Talvez ele tenha aprendido mais sobre reportagem carregando malas de bacanas que na sala de aula da universidade. Outra jornalista que admiro muito, Leila Ferreira, é Mestre em Comunicação pela Universidade de Londres, mas gosta de se vangloriar mais por ter crescido ao redor do fogão de lenha.

É por isso que, quando conheço alguém, gosto logo de perguntar: qual é a sua história? São elas que contam tudo sobre quem somos e onde podemos chegar. O mundo dá voltas...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Bom programa para o próximo sábado

No próximo sábado, o Palácio das Artes recebe em seu palco a Companhia italiana Kataklò para única apresentação do espetáculo Play.

Todos os integrantes da companhia são atletas, jovens campeões mundiais e olímpicos, que se reuniram para ir além dos limites permitidos pelas competições esportivas. Flexionando e impulsionando seus corpos, eles reestruturaram seus movimentos atléticos e acrobáticos, adquiridos em anos de treinamento, e os transformaram em arte para multidões.

A Árvore é quem está na assessoria de imprensa do espetáculo e tudo leva a crer que será lindo! Além disso, os ingressos estão super baratos (50 reais inteira e 25 meia).

Veja o vídeo do Kataklò no Youtube:

domingo, 4 de abril de 2010

Ele caducou de vez



Acho que pouca gente demonstra trabalhar com tanto prazer como Silvio Santos. Prestes a completar 80 anos, ele tem vitalidade para animar umas duzentas mulheres histéricas de uma só vez e, com isso, nos segurar em frente à TV por mais de quatro horas.

Ultimamente, as noites de domingo na TV aberta estão tão ruins que Silvio Santos tem sido a melhor opção. Pelo menos a gente se diverte com ele, que está cada vez mais caduco.

Caduco e safado. Ta igualzinho o vovô Alaor...

Lembra aquela metáfora do menino que é dono da bola e, por isso, manda? É o caso do Silvio. A emisora é dele. Tem gente que gosta. Ele já está no fim da vida e tem o direito de fazer o que quiser.

E ele leva cada defunto no programa... Hoje, desencravou o casal septagenário Jane e Herondy, aquele que canta “Não se vá... eu já não posso suportar essa minha vida de amargura....” Ao saber que eles haviam se separado, mas continuavam cantando juntos, Silvio Santos não pestanejou:

- Vocês estão fazendo a coisa errada. Agora que estão dois bagulhos vocês vão se separar?

A turma do CQC já está até se acostumando a colocar o Silvio em primeiro lugar do Top 5. Semana retrasada, ele fez um auê ao descobrir um travesti no meio das suas “colegas de trabalho”. Colocou a “moça” em destaque; disse ate que queria ver a “surpresinha” dela.

Imagine quando o Silvio Santos morrer... O que vai ser dos nossos domingos? Vai faltar um complemento para o macarrão e o frango assado, como dizia minha bisavó Rita. Mesmo para os mais críticos, vai faltar um pedaço na TV. Enquanto isso, a gente aproveita e se diverte com a sua cara de pau.

Ele pode.


sábado, 3 de abril de 2010

A saga dos ovos de parafina

Acho que sou a única pessoa na face da terra que gosta – não, adora – ovos de Páscoa fabricados com aqueles chocolates de parafina.

Sim, eles são gordurosos, grudam no céu da boca, mais parecem vela de procissão, mas eu gosto. Troco qualquer Talento, Ferrero ou até mesmo um Kopenhagem (é assim que se escreve?) por um ovinho que custa centavos.

Hoje, véspera do domingo de Páscoa, minha cunhada resolveu me presentear com um. Como uma criança, rasguei a embalagem, cortei a fita com o dente, tirei o papel alumínio e fiz questão de cheirar o chocolate (os de parafina têm um cheiro de sala dos milagres das festas religiosas do interior). Alarme falso. A doninha que fez o ovo comprou chocolate Garoto para a alegria da clientela e a minha tristeza.

Mas não desistimos. Rodamos o comércio da cidade em busca dos ovos mais baratos do mercado. Enfim conseguimos! Matei a vontade.

Não me pergunte por que gosto tanto desse chocolate hidrogenado, mas é desde pequeno. Na primeira páscoa namorando, Janaina me presenteou com um ovo Sonho de Valsas, daqueles grandes e vistosos. Na mesma sacola, ela colocou uns 10 ovinhos para dar aos meninos de rua. Ela tomou um susto quando pedi para trocar com eles.

Sim. Troquei um ovão por 10 ovinhos parafinados. Janaína nunca mais gastou dinheiro com chocolate bacana para um namorado que prefere o que não é bacana.

Nesta páscoa, Janaína trocou o ovo por uma camisa nova. Gostei do presente.

Faltam poucos minutos para o domingo de Páscoa. Começamos a espalhar pegadas pela casa. Quando o sol nascer as crianças terão que procurar o esconderijo dos ovinhos. Mais um ano passa e continuamos com os velhos hábitos de sempre.

Pelo menos as crianças aqui de casa têm um paladar melhor que o meu.