terça-feira, 12 de julho de 2011

O terraço mágico




- Sabe o que acontece com menino que desobedece e dependura no murinho do terraço?, esbravejou tia Mônica com seu pequeno João Marcelo, um dos caçulas da geração de netos Silva Araújo.

Hoje vovó Zinha fez 82 anos. Como acontece todos os anos, foi dia de reunir a família para botar o papo em dia. As coxinhas não têm o mesmo sabor, já que vovó não pode mais fazê-las. Mas basta olhar em volta para sentir que a energia não mudou. Estão lá tios, primos, pais, amigos – todos com o mesmo DNA.

Família grande tem essas coisas boas: é festa toda semana. E pra muita gente! No mínimo, 50 pessoas. Cervejinha, refri diet, uns salgadinhos... e muita gente falando alto. Os papos são sempre os mesmos: futebol, concursos públicos, política, fofocas parentais. E toma beijinho na bochecha!

É quase um ritual sagrado: ao centro, sempre a mesa dos mais velhos: vovô, vovó, as “tias”... É lá onde ficam os melhores salgadinhos, os refris mais gelados. É o lugar ideal para dar um alô a cada 15 minutos – até porque a companhia é ótima! No canto, os homens jogam bolinhas de papel nas crianças. Aliás, essa é uma ótima forma de reciclar as forminhas das empadinhas. Correndo de um lado para o outro, a nova geração dos Silva Araújo mantém acesa a vida daquele lugar tão sagrado: o terraço da casa da Vovó Zinha.

Ah, o terraço... o lugar construído para as celebrações, os aniversários. Foi lá meu primeiro aninho... e o vigésimo também. Um telhado colonial, cercado por um guarda-corpo, um banheiro e um quartinho para guardar as comidinhas. É tudo tão simples – e tão bom. Na minha memória, era um espaço tão grande... Ideal para correr, brincar de patins, esperar Papai Noel no Natal e guardar todo tipo de bagulho que ninguém queria em casa. Em resumo, é uma zona digna de família grande, ou Grande Família, como no seriado de TV.

Crescemos e o terraço parece ter encolhido. Ou será que é a família que dobrou de tamanho? Eu já não posso mais correr, mas me sinto representado pela nova geração de netos e até bisnetos. As mães correm atrás das crianças; os pais aproveitam a boa vida.

Sentado num cantinho, vejo a tia repreendendo o menino. Dá uma vontade de responder:
Sabe o que acontece com menino que desobedece e dependura no murinho do terraço? Cresce e carrega um montão de histórias desse lugar mágico.


Eu no meu primeiro aniversário...


26 anos depois, a cena se repete, agora com a companhia do Joaquim e Davi

domingo, 22 de maio de 2011

Tempo, tempo, tempo, tempo...

É engraçado... tem muita gente me falando que 24 horas do dia não têm sido suficientes para dar conta das tarefas. Faço coro aos que gostariam que o dia tivesse mais umas oito horas, talvez com tempo reservado obrigatoriamente para dormir, comer e se divertir.

Mas é a vida do futuro, dizem os mais práticos. É assim e pronto. Cabe a nós, simples mortais, organizar o tempo e ser feliz. Mas se fosse assim tão fácil... Somos filhos da “geração fazeção”. Quem faz mais, vale mais. Quem vale mais, merece mais. Quem merece mais, ganha mais. A “recompensa”, como diz um sábio amigo, só a mente inconsciente é capaz de saber. Nosso conhecimento filosófico é quase nulo para entender, pelo menos um pouquinho, os pedidos que fazemos ao tempo, como diz a música do Caetano.

O assunto foi parar na mesa de bar e nos consultórios psicanalíticos: onde foi parar nosso tempo? Na Europa, o passado não deixou de ser presente. Construções duraram anos, décadas, algumas séculos. Tudo sem a existência da tecnologia, no muque mesmo. Imagine quantas milhares de pessoas ajudaram na construção da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, projetada por Gaudí, que só ficará pronta em 2026. Mais de um século de obras. Existem pessoas que dedicaram a vida inteira a um só projeto, uma construção. E nós, no século 21, não queremos somente uma grande obra, mas várias. Pulverizamos os méritos, que agora devem ser diários, precisos e motivadores.

É um dia após o outro. Isso me faz lembrar uma passagem de Monteiro Lobato, escrita em 1936, em Memórias de Emília. Nele, a sábia menina dos cabelos coloridos explica a vida de uma maneira simples, porém profunda.

- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
[...] A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? – perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?


No mundo de hoje, criamos hipóteses – e ainda vivos! Este texto mesmo é uma hipótese sobre o tempo e o futuro. E os dias vão passando, num emaranhado de piscadas. Piscadas ora com um olho, ora com os dois. Piscadas profundas, que as vezes não querem deixar os olhos se abrir. Momentos em que os olhos precisam ficar bem abertos, sem quase nunca poder piscar.

Piscar, resumindo a filosofia de Emília, é viver um dia depois do outro. E chegar em casa a noite, olhar a lua, sentir o frio da montanha e se orgulhar de ter escrito mais um capítulo de uma história que terá fim, só não se sabe quando.

Pra terminar essa filosofia de insônia, digna de alguém que não consegue ficar quieto nem mesmo na madrugada de uma sexta-feira fria, uma passagem de um outro sábio da literatura, João Guimarães Rosa. Ele, que postergou ao máximo a posse como imortal da Academia Brasileira de Letras, parece que previa a morte quando isso acontecesse. E ele morreu. Em suas andanças pelo Sertão, ele questiona a louquidão do mundo e, parece que prevendo, descreve o futuro, que hoje é presente:

Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem que necessitar de aumentar a cabeça, para o total.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Indústria pornomotiva

Enquanto falta-me tempo para escrever, mais uma bela contribuição de Ângelo de Barreto Aranha. Ainda bem que a gente tem amigos...

Eu não sou da área de propaganda e realmente não sei se os nomes de alguns veículos e montadoras são escolhidos/mantidos sem pensar ou fazem parte de uma estratégia mirabolante de marketing...

Em outros países parece que esse tipo de coisa não funciona como aqui, quando um carro entra no mercado numa situação assim, logo alteram o nome. Por exemplo, nos países de língua espanhola o Mitsubish pajero se chama Montero, uma vez que pajero lá quer dizer punheteiro! Aqui, não vejo essa preocupação e desde que lançaram o Citroen PICASSO, os donos tem que conviver com as indefectíveis piadinhas dos colegas. Já ouvi inclusive que algumas pessoas na hora de comprar optam por modelos similares por não se sentirem a vontade com o nome! E não adianta falar que é homenagem ao famoso pintor de Málaga que aqui sempre vão associar esse carro com um falo gigante!! Então é aquela coisa: Fulano adora entrar no Picasso vermelho, minha tia quando senta no Picasso se esquece da vida!! E por aí vai, rsrsrsrsrs!

Bom, mas a coisa agora melhorou, chegou ao país a mais nova montadora Chinesa cujo nome é... Adivinhem!! É CHANA!!! Isso mesmo CHANA! Então já posso imaginar as situações hilariantes e constrangedoras, por exemplo, aquela filha pós adolescente entra em casa na hora em que a mãe está tomando chá com as beatas do bairro e dispara: Mãe, minha chana tá toda molhada e a culpa e do papai!!! Ahhrrrgggggggg, cai beata prá todo lado gritando com a queimadura de chá quente!! Na verdade, era apenas uma inocente reclamação pelo descuido do pai que deixou os vidros abertos ao manobrar o carro da filha, deixando-o em área livre num dia de chuva...

Ahhh!! É quando acontecer um acidente envolvendo pessoas conhecidas dirigindo exatamente os dois carros mencionados? Já pensou na Itatiaia notícias ou CBN? O locutor com a voz empostada dizendo: Picasso desgovernado do padre Marcelo entra com tudo na CHANA de Ana Maria Braga!! Huahuahuahauihauhua! Demaiiissss! Ou então Willian Bonner na chamada do jornal nacional: Presidenta Dilma processa ativistas que arranharam sua CHANA de fora a fora durante festa em Brasília! As situações são incontáveis e basta ter um pouco de imaginação!

Então é isso, e caso alguém tenha os dois modelos na garagem siga o conselho do Bóris Feldman, toda vez que for trocar o óleo do Picasso evite respingar na chana que pode estragar a lataria prá sempre....

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O vórtex dos mentecaptos!

Caros leitores,
Como se já não bastasse a vergonha por não publicar nada no blog, minha cara de pau foi além. Convidei um grande amigo, Angelo de Barreto Aranha, para contribuir com nossas histórias pitorescas. Rei da cultura inútil, Angelo sabe o tamanho do pulo da pulga e, a partir de agora, compartilha suas vivências conosco. Espertamente, ele não quer ter um blog. Ainda bem, pois poderemos nos divertir por aqui mesmo. Boa leitura!


Estava lendo em um dos posts sobre a ira de Laura com a oi... Não sei do que se tratava, mas aposto que estava lidando com um ou uma atendente imbecil que não sabe como se relacionar com clientes! Entendo perfeitamente, afinal já vivi muitas situações onde tive que respirar fundo e invocar Jó e sua inesgotável paciência.

Hoje mesmo, tentei alterar meu endereço para envio de conta, uma coisa extremamente simples e que deveria demorar no máximo 5 minutos! Mas quando se lida com seres equipados com cérebro de galinha, meia hora passa ser um tempo normal. Bom, voltando ao meu calvário, ao ligar caí numa atendente que deve ter feito o curso preparatório Carla Perez e colou do Tiririca! Ela perguntou o nome do novo logradouro, eu disse que era Alameda fulano de tal, então ela começou a digitar e repetir: “Rua alamenda fulano de tal”!! Eu disse, moça, não é rua Alamenda! O tipo de logradouro é que é Alameda sem n, assim, como avenida e tal!! Ela não entendia e continuava escrevendo no cadastro que o nome da rua era Rua alamenda, quase que mandei Alamerda! Mas mantive a pose e simplesmente desisti, falei prá botar Rua fulano de tal e pronto! Só nessa batalha se foram 7 minutos, imaginem! Bom, aí fui passar o CEP, falei 34 milhões que é o de Nova Lima, ela entrou em parafuso e tive que falar um a um a posição nos campos e o número de zeros deste número incrivelmente complexo...

Só que não acabou... Depois dessa batalha épica de preenchimento de campos do meu futuro endereço, pedi a galinácea, digo a atendente, que repetisse tudo para que não correr o risco da minha conta parar em Rondônia, então ela foi repetindo tudo até chegar no nome da rua, que deveria ser Alameda!! Ela começou, rua fulano de tal e quando chegou em um dos nomes ela disparou: “Dumont” Eu disse, como? Soletra prá mim, ela repetiu falando mais alto, DUMONT!! Aiaiaiaiai!! Tive que explicar que soletrar era falar letra por letra... Nessa hora pensei em jogar querosene em mim e me imolar em nome de Jesus!! Seria menos doloroso, então já trincando os dentes eu disse para a anta penosa, não é Dumont moça, é Drumond, tal qual o do poeta!! Então ela falou, ah!! O senhor me desculpe, é que só conheço os que fazem pagode!!! Tutututu tututu tututu... Tututututu....

Não agüentei e desliguei na cara!! Amanhã ligo de novo e vejo se dou sorte de cair em alguém com cérebro de macaco pelo menos, no mais, “Just in case” vou comprar um galão de querosene de aviação no aeroporto mais próximo!!!

Dica importante, se for falar com essas operadoras lembre-se:

Diga OI e seja Claro, explique tudo TIM TIM por TIM TIM e no final fique VIVO!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dois anos de Árvore

Um sentimento estranho vem me acometendo nos últimos dias. Parece que só agora, dois anos depois de abrir a Árvore de Comunicação, sinto-me seguro para acreditar que meu negócio será um sucesso. Guardado seu pouco tempo de existência, sem falsa modéstia, posso encher o peito e dizer “o mundo nos espera”.

Mineiro, tinha medo do futuro. Fiz tudo em silêncio, sem muitas badalações. Só para se ter uma ideia, nunca tive coragem de escrever alguma coisa no meu próprio blog sobre a Árvore de Comunicação. Tinha medo da exposição, do julgamento, da “cara no muro”. Pura bobagem. Dois anos depois, sinto-me motivado a trabalhar ainda mais, pois sei que temos um longo caminho a seguir.

O sucesso desses dois anos não é só meu, mas de uma super equipe que compartilha do mesmo ideal. Junto de cada um, uma corrente de amigos, namorados(as), pais, mães, primos, sempre dispostos a ajudar. Mesmo sem querer, eles acabaram transformando a Árvore numa família.

Estamos construindo uma Árvore com essência. Temos princípios, amamos o que fazemos, por isso fazemos bem. Consolidamos a empresa como destaque na assessoria de imprensa cultural de Minas Gerais. É o ponto de largada para um futuro ainda mais promissor.
Jornalismo de cultura gosta mais de imagens que texto. É uma tendência dos últimos anos. Por isso, fiz uma seleção das 10 imagens mais marcantes dos dois anos da Árvore de Comunicação. Por trás de cada foto, há uma história. Histórias que despertam risos e muita emoção. Algumas delas são acompanhadas por música, outras pelo profundo silêncio contemplativo.

A história da nossa Árvore é a história dos outros. Dos nossos clientes, da nossa equipe, dos parceiros, dos amigos, das famílias. Quem diria que, em menos de dois anos, teríamos em nosso portfólio o FIT, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o Grupo Seculus, o Memorial da Imigração Japonesa e outras dezenas de clientes e projetos que nos deram a honra de divulgar o que eles têm de melhor.
Juntos, somos um sonho só.


Memorial da Imigração Japonesa (2009). Tudo começou aqui.


Já vi jornalista dizendo que jornal, depois de velho, forra gaiola de passarinho. Em Piranga, virou capa de caderno. Um orgulho.



Com Flavinha e Breninho, a dupla dinâmica do Julho no Vale do Piranga 2009.


Em 2010, também no Julho no Vale do Piranga, Flavinha ganhou um novo parceiro, Gabriel.


Terra de Minas em Catas Altas da Noruega. Exemplo de como a imprensa muda a rotina de um lugar.


Com Luigi e Eduardo, parceiros do Grupo E10, uma nova fase da Árvore.


Brindando o sucesso do FIT 2010, com Polli, Wandra e Thiago.


Flavinha, sempre presente nos momentos de stress



O bom dessa profissão é que a gente se diverte muito - mesmo trabalhando.

terça-feira, 1 de março de 2011

Homenagem ao grande Moacyr Scliar

“Você não dorme”, foi a primeira frase que disse ao conhecer o escritor Moacyr Scliar. O ano era 2005, auge das viagens pelo Sempre Um Papo, a maratona mais gostosa da minha vida – que durou sete anos.

O motivo da minha surpresa ao apertar a mão daquele escritor “com cara de bonzinho” era o volume de livros que ele já havia escrito – naquela época, já passava de 70. Mas ele também era médico, atendia aos pacientes, escrevia para jornais e revistas e, ainda, viajava pelo Brasil fazendo palestras. Tudo com uma cara boa... sempre disponível!

Viajamos pelo Brasil para bater papo sobre literatura. Além de vários eventos em BH, fomos para Curitiba, Londrina, Belém, Brasília, Rio de Janeiro. O último encontro foi em Ipatinga, em 2008, quando peguei uma gripe de lascar. Ao me ver ardendo em febre, Moacyr deixou de lado sua profissão de escritor: checou minha pressão e foi até à farmácia comprar remédio para mim. “Esqueceu que eu sou médico? Nem vou te cobrar a consulta”.

Na memória, além de tudo que aprendi, ficará uma célebre troca de palavras, super comum entre nós após os eventos:
- Moacyr, o que você quer comer no jantar?
- Ah, Rafael, uma coisa leve... Quem sabe uma pizza?
- Assim, churrasco também é leve.
- Ah, então vamos comer uma carninha.

Nesta semana, foi-se mais um escritor. Sua história, assim como suas histórias, estão muito bem guardadas em dezenas de volumes, ainda bem.

Veja o programa Sempre um Papo que fizemos em 2008:

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sim, a arte nos faz crescer




A frase que dá título a este texto eu já ouvi milhões de vezes. Em casa, na escola, na faculdade, em algumas rodas de amigos. De tanto que foi dita, ela pode até parecer clichê. Entrar por um ouvido e sair noutro, sem ser assimilado pelo cérebro. No meio do corre-corre da vida, com tanta coisa pra pensar, tantas metas a cumprir, tantos horários, regras, pudores. A gente nem percebe como a vida se torna monótona e fria quando se pratica somente o arroz com feijão.

O que é o arroz com feijão? É acordar, tomar café, ir ao trabalho, almoçar, voltar do trabalho e... dormir. É chegar em casa, deitar na cama e não ter uma novidade para contar pra família. É descobrir que não houve emoção nas últimas 24 horas. Um dia depois do outro. E outro... e outro... e outro...

Como um remédio, a arte nos faz ver a vida com um outro olhar. Mais colorido, poético. Bem mais emocionante. Quando me refiro à arte não quero dizer somente o erudito, a ópera, a pintura européia, os grandes castelos. É tudo aquilo que se inventa, que se ousa, que realmente transforma as pessoas.

Acabo de sair da Praça da Estação onde assisti ao belo espetáculo K@osmos, durante o Festival Internacional de Teatro (FIT-BH). Mais impressionante que ver oito artistas se aventurarem a 40 metros de altura foi observar o público. Todos olhavam para o céu admirados, surpresos com tudo aquilo que lhes era oferecido – de graça. Muitos saíram de casa só para ver o espetáculo, outros passavam por ali e resolveram parar pra ver um pouquinho.

Aposto que todos aqueles que pelo menos passaram por ali chegaram em casa e contaram pra família o que viram. E que, pelo menos por um tempinho, eles entenderam o significado de palavras como beleza e ousadia. O que é isso? Arte. Uma arte acessível que convida o leigo a entrar no seu universo – pra nunca mais sair.
Hoje, minha memória ganhou mais uma bela cena para me acompanhar pro resto da vida. Muita gente deve ter sentido a mesma coisa.

(o texto acima foi escrito na madrugada do dia 5 de agosto. Só hoje tive tempo de publicar)


Foto: Gabriel Araújo (oficina fotografia FIT)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Adorei o horário eleitoral

Começou hoje a minissérie brasileira de maior sucesso na televisão: o horário eleitoral gratuito.

Vocês não têm ideia do quanto eu me divirto assistindo esses programas. Há dois anos aguardo ansiosamente pelo início dessa experiência. É melhor que qualquer programa do Faustão, com direito à Arquivo Confidencial (nas imagens dos grandes candidatos à presidência, cheios de depoimentos açucarados) e, ao final, Pegadinhas e belas Vídeo Cassetadas.

Como tudo de muito bom ou ruim que a gente assiste na TV, é impossível guardar só para mim a resenha desses últimos 50 minutos. Devo lembrar: o que escrevo abaixo não tem caráter eleitoral. Meus votos continuam secretos.

1. O programa da Dilma foi nota 10. Se ela tivesse o traquejo do Lula para o vídeo, com certeza, emocionaria muita gente que assistiu ao seu primeiro programa na TV. Os jingles – em especial, o último, foi de arrepiar... O vídeo do Serra também foi muito bem feito, mas permaneceu frio... O da Marina poderia bem ser apresentado nas escolas amanhã; aula de biologia.

2. Fiquei com dó do Anastasia e Aécio por ser obrigado a abrir espaço no horário eleitoral de candidatos a deputado federal para duas “figuras ilustres” da política nacional: Roberto Jefferson (“O PTB tem a cara do Brasil”) e Edimar Moreira (dono do castelo).

3. A marca “Hélio + Patrus” é forçar demais a barra...

4. Vários candidatos enfatizaram ser “ficha limpa”. Obrigação agora virou adjetivo... É a mesma coisa que a criança chegar em casa e dizer “mãe, passei de ano com 60”. Merece a velha e boa resposta: “não fez nada mais que a obrigação”.

5. Adorei saber que “Mangabinha do Trio Parada Dura” quer tocar sua sanfona no Congresso Nacional. O comitê será no Bailão Sertanejo! Sai ônibus da Tamóios com Afonso Pena.

6. Não há tristeza maior que votar no “Reginaldo Tristeza”.

7. Tem umas figurinhas que dá vontade de quebrar a TV. Como a gente ainda pode aceitar tanta gente “boa”...

Bom, por enquanto é isso. Nunca 50 minutos passaram tão rápido.

Já combinei com minha mãe: nas férias, ela vai gravar tudinho pra eu assistir quando voltar, nos intervalos do Programa Silvio Santos. Ai ai ai ui ui...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Os mistérios da Clausura



É engraçado como, mesmo depois de muitos anos, nossa memória guarda pequenas cenas da infância; algumas delas sem sentido ou nenhum significado aparente.

Uma dessas cenas é recorrente na minha memória. É o meu olhar, pequeno, então com oito anos de idade, para uma porta de sucupira escura. Sobre ela, uma placa com a palavra “clausura”.

Eu estudava em colégio de freiras, com disciplina rígida e lendas fantasiosas. Para aquelas crianças, clausura era proibido, a casa das irmãs, o lugar secreto onde elas retiravam aqueles hábitos brancos. Pensava: será que elas usam chinelo? Como são os cabelos das irmãs? Elas têm cabelos? Dormem com aquele “vestidão”? As perguntas eram incontáveis, suficientes para encher a cabeça de um pequeno futuro jornalista de muitas hipóteses. Com certeza, foi essa a primeira investigação que tentei fazer na vida. Sem sucesso.

Cresci com a imagem da porta... Por medo, nunca atravessei aquela barreira. Poderia ser pecado... Mas a plaquinha da Clausura nunca saiu da minha cabeça. Um dia eu ainda iria conhecer aquele lugar tão misterioso ...

Pois, meus amigos, tenho o orgulho de informar-lhes que acabo de sair de uma clausura. Como visitante. Não só entrei, como tomei suco e comi pão de queijo com linguiça. Não era no misterioso Colégio São Judas Tadeu, em Contagem, nas no Colégio Nossa Senhora da Piedade, no Rio de Janeiro. Aquele menino medroso cresceu e agora vai trabalhar a comunicação de cinco colégios católicos. Todos eles com clausura.
No colégio, ao passar pela porta cercada de mistérios, foi impossível não estampar um grande sorriso no rosto. Irmã Percila, que me acompanhava, notou que algo de errado estava acontecendo com aquele novo fornecedor. Tive que contar a ela toda a minha história imaginária com aquele espaço.

Matei a vontade, mas quero continuar lembrando dos mistérios criados pela cabeça daquele menino medroso. Seria tão bom se os medos de hoje em dia se resumissem apenas em uma porta fechada... A gente cresce e descobre que, na verdade, a vida é um emaranhado de portas. Cabe a nós abri-las e aproveitar o que está la dentro. Nem tudo são maravilhas, mas vale pela descoberta.

sábado, 12 de junho de 2010

Onde estarão meus brinquedos?



Quando pequeno, colecionava Comandos em Ação. Eu e meus primos Leonardo, Vinicius e Daniel nos divertíamos nos reunindo nas férias, feriados ou finais de semana para transformar nossos bonequinhos em um grande exército. Na imaginação, dávamos vida aquelas peças de plástico que cabiam exatamente na palma das mãos. Não sabíamos, mas éramos atores, dubladores, cenógrafos... e “imaginadores”, como toda criança é.

Crescemos, nossas mãos também, mas os bonecos permaneceram do mesmo tamanho. Quer dizer, eles desapareceram. Onde foram parar as dezenas de soldados do nosso Comandos em Ação? Sem falar naquela base (quartel general) enooorme, nos diversos tanques, jipes, motos... Esquecemos de nossos brinquedos de infância. Mas será que eles nos esqueceram?

Acabo de sair do cinema, onde assisti a pré-estreia de Toy Story 3, novo sucesso da Disney – que estreia na próxima sexta, dia 18. No filme, chega a hora de Andy, o dono dos brinquedos, ir para a faculdade. Mas o que fazer com aquele monte de bonecos? O final, vocês têm que ver.

Claro que a historia é de ficção, mas dá um aperto no peito quando lembramos dos nossos próprios brinquedos. Além dos Comandos em Ação, procuro na memória o paradeiro da casa dos Tunder Cats, do boneco Snoopy que ganhei quando Gabriel nasceu (mamãe disse que o boneco saiu de dentro da barriga dela – foi um presente do irmão recém chegado), assim como os vários velotrols, a primeira bicicleta verde com rodinhas, a lanchonete Mc Donalds...

A gente cresce, mas nunca perde um pedacinho da infância. Até alguns anos atrás, guardava escondido no armário uma caixa de sapatos com dezenas de carrinhos. Eu já “era grande”, brincar publicamente já não era mais possível. Tudo acontecia de portas trancadas. Bastava tocar naqueles brinquedos que minha cabeça enchia de ideias, diálogos, imaginações. Era o despertar da criatividade. Certo dia, a caixa havia sumido. Mamãe, que não sabia da minha “brincadeira secreta”, havia doado meus amigos para uma creche, assim como aconteceu em Toy Story 3.

Isso já deve ter acontecido com qualquer um que passou dos 12 anos. A gente cresce, os brinquedos mudam, mas sempre restam alguns objetos que ficam pra sempre na nossa memória.

Quantas pipas, carrinhos de rolimã, dúzias de bolinhas de gude, jogos de botão, bolas de futebol se perderam por aí? Bonecos de super-herois, ursos de pelúcia... ícones históricos da melhor parte da vida.

Fica a dica: veja o filme. Não se acanhe se der vontade de chorar. Saia do cinema e lembre-se que a brincadeira sempre tem que continuar.