sexta-feira, 19 de março de 2010

Mais uma dica de filme

Em meio a tantas mega produções cinematográficas lançadas este ano, um filme passou despercebido pelo grande público brasileiro. Até eu, que há anos espero seu lançamento, quase me esqueci de assistir a “O Contador de Histórias”, de Luiz Vilaça, baseado na história de Roberto Carlos Ramos.

Ele é um dos maiores contadores de histórias do Brasil e, efetivamente, consegue capturar qualquer plateia. Já presenciei diversas situações como essas envolvendo o Roberto Carlos. Mas a melhor história que ele conta é a da sua própria vida. Interno na FEBEM, considerado um menino sem futuro, foi por intermédio de uma pesquisadora francesa que ele descobriu o significado das palavras. Entre elas amor e dignidade.

Há quem diga que a história de Roberto Carlos Ramos não passa de mais uma de suas criações fantásticas. Mas se isso realmente for verdade – ou mentira – aí é que ele merece todos os méritos. Sinceramente, quero continuar achando que ele foi salvo por um anjo com sotaque francês.

No jornal O Globo, é comum ver o desenho de um bonequinho batendo palmas ou indo embora do cinema quando o filme é bom ou ruim. Se eu fosse o desenhista, faria um bonequinho correndo pra frente, batendo muitas palmas, pulando, gritando Uhu! O filme é muito bom! Que história... Que roteiro... Ques diálogos... Que atuação de Maria de Medeiros... Que belo exemplo!

Fica a dica para quem não viu. Vale a pana!

P.S: Prometo voltar a escrever aqui com regularidade.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De maneira...

Dá pra alguém me explicar? Se ninguém gosta do telemarketing, por que ele existe?

Nunca vi ninguém falar “adorei quando me ligaram no sábado de manhã para oferecer um novo cartão de crédito...” A gente sempre ouve o contrário: “aqueles %$#@#&% me acordaram mais uma vez...”

Hoje, sábado, fui surpreendido por uma dessas ligações. Do outro lado da linha, o atendente queria me apresentar um novo jornal de economia, que entrou no mercado para disputar com o Valor Econômico.

Como o produto é novo, os atendentes são treinados a apresentá-lo. Só que eles esqueceram de falar para a galera do telemarketing que alguém já poderia ter lido o jornal. E, sinceramente, acho que as equipes são treinadas para serem burras. Nada mais que isso.

O diálogo abaixo é real.

- Senhor, bom dia!

- Bom dia!

- Eu gostaria de apresentá-lo o jornal Brasil Econômico, uma nova opção de notícias do mercado. O Senhor lê jornais?

- Sim. Leio inclusive o Diário Econômico.


Ele não prestou atenção na minha afirmação...

- De maneira... (é o novo clichê dos atendentes de telemarketing) E quais jornais o senhor costuma ler?

- Folha, Estadão, Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia... e Diário Econômico.

- De maneira... Eu gostaria de apresentar o Brasil Econômico, uma nova opção de jornal que traz diariamente notícias sobre as tendências, o mercado bla..bla...bla...

- Mas eu já conheço o Brasil Econômico. Eu leio todos os dias!


Ele duvidou da minha palavra. E continuou falando...

- São notícias que tratam da bolsa de valores, dos mercados, das aquisições...

Não resisti. Era hora de reagir.

- Amigo, me desculpe, mas eu já te falei que sou assinante do seu jornal. Vou te provar. Ele é cumprido, com páginas amarelas, bem mais lisas que as convencionais... O diretor de redação é o Ricardo Galuppo, não é?

Mesmo assim, ele não prestou atenção no que eu falei, leu o que estava na tela, como um roteiro de peça teatral.

- De maneira... o jornal é em formato tablóide, na cor salmão, o que facilita a leitura...

- Isso mesmo, companheiro. (Começou a ironia do lado de cá)

- Pois o senhor é assinante no seu local de trabalho?

- Sim.

- De maneira... Para ficar ainda mais bem informado, o senhor deveria ter uma nova assinatura, só que particular, daí o senhor vai poder ler o jornal sozinho.


O gente... é isso mesmo... Quando a ficha dele caiu que eu já era cliente, ele quis me transformar num cliente duplo, com assinaturas em casa e no trabalho. A sorte dele é que eu estava muito bem humorado e havia tomado café da manhã. Aquela conversa tinha que se encerrar.

- Companheiro, já te falei que leio o seu jornal diariamente. Agora eu quero saber de você: Você lê o Brasil Econômico?

Silêncio...

- Isso mesmo, você lê o Brasil Econômico? – perguntei novamente.

Mais silêncio...

- É, pelo visto você não lê.

- Senhor... De maneira... De maneira.... É claro que eu leio o Brasil Econômico!

- Pois muito bem. Então somos pessoas bem informadas. Tenha um bom dia de trabalho...


Desliguei o telefone e ganhei um texto pro blog.

Nunca mais vou pegar em um Brasil Econômico sem me lembrar do diálogo com o atendente de telemarketing.

A sorte deles é que vi tudo isso como comédia. Se eu fosse um sujeito mal humorado, eles haviam perdido um cliente potencial para o resto da vida.

Será que eles pensam nisso?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A procura da felicidade



Eu sei que estou devendo mais um texto da série “100 coisas...”, mas está faltando tempo pra escrever um texto de cinco laudas. Contar 20 causos demora.

Mas para não deixar este blog parado (e eu não gosto quando isso acontece), deixo uma fala do filme “A Procura da Felicidade”, que estou virtualmente assistindo pela terceira vez. Isto é, enquanto eu trabalho num planejamento no PC, a Janaina está assistindo.

Tem um trecho do filme que é um aprendizado e vale muito para o momento que estou vivendo agora. Compartilho com vocês.

Nele, o pai (fudido) diz para o filho:

Nunca deixe ninguém te dizer que não pode fazer alguma coisa. Nem mesmo eu.
Se você quer alguma coisa, corra atrás. Ponto.
As pessoas não conseguem vencer e dizem que você também não vai vencer.
Se você tem um sonho, tem que correr atrás dele.


Esta lição deveria nos acompanhar, dia após dia, como um mantra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

100 coisas que mais me divertiram na última década – Parte 2

Se você não está entendendo nada, clique aqui.

Continuamos a lista das 100 coisas que mais me divertiram na última década. Como são muitas – e cada coisa tem uma história – tive que dividir em cinco textos. Até porque a gente também tem que trabalhar...


1.Show Gino e Geno no Alambique
– Podem me chamar de brega, mas o show mais divertido da década foi com a dupla de velhinhos sertanejos das Minas Gerais. É de impressionar o sucesso que eles fazem no interior e, em contraponto, como eles são desconhecidos aqui em BH. Tanto que o show deles, no Alambique, dois anos atrás, estava vazio. Não passava de 400 pessoas. Lógico que aproveitei para ficar lá na frente, acompanhado de Janaína e mamãe. Sim, querido leitor, Sra. Simone Araújo compareceu ao show e ainda dançou!




2.Ensaio Aberto com Vander Lee – Quem ainda não conhece o Vander Lee, bom sujeito não é... É ruim da cabeça, ou doente do pé... Acompanho a carreira dele há muito tempo. Já tive a alegria de apresentar vários eventos com ele, mas foi no Ensaio Aberto da Rádio Guarani que eu fiz valer o meu direito de fã. Cantei todas as músicas, balancei os bracinhos pro alto, fiz bagunça mesmo. Quem me conhece sabe que não sou disso, daí a importância do fato.


3.Chegada de Papai Noel – Foi em 2000, eu tinha uns 16 anos... Fui contratado pelo Pitágoras para filmar a chegada de Papai Noel, de helicóptero, na Lagoa dos Ingleses. Até aí tudo bem, não fosse o meu lado desastrado aparecer por lá. Ao gravar o bom velhinho, consegui cair da caminhonete onde andavam os duendes, sob os olhares de umas 2 mil pessoas que assistiram a cena – e riram muito de mim. Mas o pior mesmo foi ouvir o meu primo Daniel falar no rádio comunicador que estava no meu ouvido: “Você conseguiu pagar o maior mico da sua história”. Talvez ninguém que estava lá se lembre da cena, mas eu nunca vou esquecer.


4.Peça do Antônio Fagundes – “Se você voltar para trabalhar amanhã é porque vai ficar muito tempo trabalhando aqui”, profetizou Afonso Borges no meu primeiro dia de trabalho na AB Comunicação. Estavam todos empenhados no espetáculo Sete Minutos, de Antônio Fagundes. Como recém-chegado e estagiário, fui colocado na posição mais ingrata: avisar aos inúmeros espectadores que chegaram atrasados ao teatro que eles não entrariam na plateia, e o pior, que o dinheiro não seria devolvido. É claro que xingaram minha mãe e as próximas três gerações que estão por vir... Mas o que há de divertido em ser agredido? Na última sessão, Marga Jacó, produtora do Fagundes, me chamou, me deu 100 reais e me fez sentar no melhor lugar da plateia. “Agora você precisa assistir”, disse. Senti-me homenageado, pois o roteiro era justamente o que eu havia passado lá fora: um monte de gente querendo entrar e alguém (no caso eu) comunicando que era preciso respeitar o artista. Claro que nunca mais cheguei atrasado a um espetáculo...


5.Creche Natal – Em 2001, ao formar no 3º ano do Ensino Médio, eu e meus amigos, comandados pela querida Daisy Koroth, fizemos um dia de lazer para as crianças de uma creche. O Léo vestiu de Papai Noel; eu fui o animador. Nunca dancei tantas canções infantis. Aprendi as coreografias dos Bananas de Pijamas, dos dedinhos e pude relembrar o Ilariê. Foi uma atitude tão singela, pontual, mas cheia de significados. Hoje, mais maduro, sei que aquilo que fizemos tem um nome: protagonismo juvenil. Naquela época era somente diversão – para a gente e para as crianças.


6.Carteira de Motorista – Foi mais emocionante que passar no vestibular. O tão temido exame de direção do DETRAN, além de um teste de trânsito, é a prova cabal que você não vai ter um infarto nos três anos seguintes. O coração vai parar na boca, as pernas tremem, o suor derrama pelo corpo. É como o final de um filme de suspense: dois indivíduos esquisitos olhando pra você com óculos escuros... Eles anotam tudo e, ao final, dão o veredito. “Pode passar lá no Psiu da Praça Sete daqui a sete dias e buscar seu documento”, disse o Monstro da Polícia Civil. Recebi aquele recado como um “Parabéns, você passou!” e comemorei como um gol do Brasil na final da copa.


7.O primeiro carro próprio – Demorou quase cinco anos após a carteira para que eu conseguisse comprar o primeiro carro próprio. Antes disso, contei com o apoio de mamãe que me emprestou um Uninho por um bom tempo. Em abril de 2007, sai da concessionária com um Palio lindo e um carnê com 60 prestações. Pago a última parcela no mês que vem. É o meu primeiro patrimônio...




8. Vovô dançando funk – Foi num sábado comum, a toa em casa, eu e meu irmão resolvemos entrevistar o vovô Valdemar – aquelas coisas de ficar pra prosperidade. Ele estava bem humorado e foi dando corda pra gente. Até que decidimos vesti-lo de funkeiro e colocá-lo para dançar “Vem aqui pro seu tigrão”. O que ele mais gostou foi “aparar pela rabiola”...


9.Entrevistas com Vovó Pilar – Ela já é famosa aqui no blog. Sempre que posso gosto de entrevistá-la também para a posteridade. Mas ela se supera a cada entrevista! Canta, dança, declama poemas, faz declarações de amor para o Roberto Carlos... Se fosse um personagem, com certeza, ela ganharia um espaço no Zorra Total.


10. Coxinha da Vovó Zinha – Só de lembrar já me dá água na boca. Os salgadinhos dela fazem parte da minha história gastronômica. Melhor que o seu sabor era ver a vovó chegando nas minhas festas de aniversário com uma caixa de papelão cheinha... era o meu presente!


11. Memórias das Minhas Putas Tristes – O livro de Gabriel Garcia Marques é um show. Faz rir e chorar. É incrível como aquele colombiano consegue escrever bem...


12. Festa Junina Caeté – Todo ano tem. O dia só é decidido na véspera, por conta da escala de folgas de Sô Gerardo. É uma fartura digna de festa no interior. A comida é tanta que o povo até esquece de dançar... Mas todo mundo vai fantasiado.




13. Festa do Catasaltense – Na última década, fui em todas as 10 festas, sempre no último final de semana de julho. Graças a elas, pude rir um bocado – de mim mesmo e dos outros. Os shows são ótimos, mas o povo não gosta de pedir bis.



14. Chopp no SJ – De tanto esperar minha sogra (de novo ela!) fazer compras no supermercado SJ, em Caeté, acabei tomando gosto pelo chopp que eles vendem lá. Como não sou de beber, duas tulipas são suficientes para me deixar alegrinho. Volto pra casa rindo da vida... e durmo. É bem melhor que Rivotril.


15. Clubbe – Nunca gostei de boate. Mas na época da formatura do Ensino Médio eu freqüentei muito a Clubbe junto com meu caro amigo China. Míope, de óculos, em boate, vê tudo duplicado. Nem precisava beber para ficar tonto. Bastava ficar parado.


16.Minha nada Mole Vida
– Não marcava nada para as noites de sexta-feira. Bastava começar a vinheta “não é mole não” para começar a gargalhada lá em casa. Luis Fernando Guimarães conseguiu a façanha de sacanear todos – sem exceção – os repórteres que ganham a vida cobrindo festa de gente fútil. No fundo, todos são um bando de... (pensem o que quiserem)


17. Banco Imobiliário – Existem jogos onde a companhia tem mais força que as regras. A melhor coisa é jogar com Rominho e Maria Badet, meus amigos do peito. Irmãos, ele gosta muito de roubar (é advogado) e ela (jornalista) de descobrir e contar pra todo mundo. É um show a parte.

18. Seriado A Diarista – Nas terças-feiras, meu programa favorito era assistir Claudia Rodrigues, no papel de Marinete, e Dira Paes, como Solineusa. Pena que as duas brigaram e a série saiu do ar...

19. Chaves – Essa série está no ar há quase 30 anos no Brasil e, pelo visto, vai ficar mais 30. Já decorei as falas de todos os episódios. Acho que é o único programa que consegue me fazer parar no canal, sem zapear.

20. Comédia dos Anjos – O livro de Adriana Falcão conta a história de uma velhinha daquelas que volta pra assombrar a família. Merece um filme logo!

Na próxima semana tem mais.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A força de Seu João Campos

Semana passada, um cidadão catasaltense chegou aos 90 anos. Tratando-se do mundo desenvolvido, com o avanço da tecnologia e da medicina, alguém com nove décadas já não é um fato tão incomum. Mas o Seu João Campos sim.

Primeiro pela sua força. Dias depois de fazer aniversário, Seu João foi visto andando pelo meio da estrada, logo cedo. Os passos já não são tão longos, mas continuam firmes. O destino: a roça. Era dia de plantar feijão e a colheita não poderia esperar. Para quem vive no campo, enxada não é problema, mas companhia. “O trabalho dignifica o homem”, diz o ditado. É o que dá sentido à vida. “A gente tem que fazer umas coisinhas de vez em quando, né”, comentou comigo certa vez. “É....”, respondi já calculando quantas décadas ainda terei que trabalhar nessa vida...

Um homem com tanta força na rua deve ter muita energia em casa também. Verdade! Seu João Campos tem 29 filhos. Isso mesmo, 29, de dois casamentos. Os filhos mais velhos já são avós e os mais novos ainda estudam na escola primária.

Nessa família, é comum ver tios mais novos que sobrinhos. É uma grande festa!

“Só que minha mãe operou para não engravidar mais tem dez anos. Se não fosse por isso, acho que papai teria mais um punhado de filhos...” Palavras de uma de suas rebentas. Seu João é um desafio pra medicina reprodutiva. Haja saúde!

Os 90 anos de Seu João foram comemorados com missa e festa. Mas não cabia tanta gente na casa dele... O jeito foi seguir para a escola estadual, afinal, são mais de 100 parentes diretos. Isso que é uma Grande Família.

Na roça, a gente olha para as pessoas e imagina como vai ser o futuro. Olhando praquele velhinho, é fácil profetizar: daqui a dez anos teremos uma festa de centenário pra ir. Já até me convidei.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

100 coisas que mais me divertiram na última década - parte 1

Este talvez tenha sido o texto mais trabalhoso escrito nesses dois anos de blog. Não só pelo tamanho (tanto que ele será divido em cinco posts), mas também pela demora na apuração. Foram mais de 20 dias andando com um bloquinho no bolso para lembrar das coisas que mais me divertiram na última década.

Mais difícil que lembrar é escolher. Cercado de figuras, digamos, inusitadas (família, amigos, trabalho etc.) e visitando lugares mais esquisitos ainda, só posso resumir que os primeiros dez anos do terceiro milênio foram muito divertidos.

A ideia de fazer essa lista foi copiada do blog do Zeca Camargo, que se inspirou na revista norte-americana “Entertainment Weekly”. Diferente das outras, a minha é mais personalista. Mais que livros, filmes, shows, o que me divertiu mesmo nesse período foram pessoas. Pessoas hilárias que me conhecem há anos ou que passaram pela minha vida durante minutos, horas ou dias.

Para não dificultar ainda mais as coisas (vocês não têm ideia como é escolher 100 fatos num universo de mais de 3,5 mil dias), não vou classificá-las por importância ou cronologia. Todos são importantes.

Hoje, trago as 20 primeiras. Na próxima segunda, mais 20, até chegar a 100.

Vamos à lista!

1. Briga de irmãos é normal nas melhores famílias. Na minha não poderia ser diferente. Certo dia, depois de cinco horas (isso mesmo, cinco horas) de discussões, eu e Gabriel já estávamos cansados. Sem saber como aquilo tudo iria acabar, disse “Você não ouve o que a gente fala!”. E ele respondeu: “Eu ouvo sim! E ouvo muito bem!”. Pelo erro de conjugação verbal do caçula os dois caíram na gargalhada. A briga acabou e nunca mais houve uma daquela proporção.


Depois de anos de brigas, agora estamos em paz!


2. Festa brega de aniversário. Para comemorar meus 20 anos, fiz uma festa que realmente foi a minha cara. Brega, claro! A música, os convidados, o figurino, a comida e até a bebida foram diferentes do convencional. O cenário: a Casa do Conde. Teve até show de Elvis Presley Cover e Vitória Pilar!

3. Primeira matéria no jornal. Para quem tem jornalismo no sangue (acho que meu sangue tem letrinhas), estar em um lugar onde a notícia está por todos os lados é, sim, uma diversão. Por 30 dias, fiquei de plantão no Hospital de Pronto Socorro de BH. Em meio a tanto sofrimento, conheci pessoas espetaculares e história, no mínimo, curiosas. Melhor que tudo isso foi ir à banca e ler a matéria assinada com meu nome no Hoje em Dia. Motivo de orgulho.

4. Rádio Noruega. No início da década, a sensação em Catas Altas da Noruega era a Rádio Noruega. Repórter precoce, me auto-intitulei correspondente da festa do Catasaltense de 2002. Todas as noites, entrevistava as bandas sobre a expectativa do show, aquela coisa básica... Mas foi com os Trovadores do Sucesso o meu maior mico no ar. Enquanto eles tocavam, uma prima (não me lembro qual) me deu um negócio docinho com gosto de pêssego. Foi um fogo só! Até ganhei o concurso de dança! Na hora de entrevistar os artistas, após o “espetáculo”, só quis falar com a bailarina. Ao vivo, perguntei pra ela: “Escuta, menina, ta todo mundo intrigado com uma coisa lá na plateia: cê não tão com frio??? Sua roupa é curta demais...” No dia seguinte, foi o comentário da cidade. Aquele pseudo repórter, que nunca bebeu, deu trabalho.

5. Cesar Menoti e Fabiano ainda não eram famosos como hoje, mas já conquistava o público de Belo Horizonte. Ana Clara, minha prima, vivia uma fase “patricinha” e queria companhia para ir a uma festa do tipo que eu odeio: cheia de gente de nariz empinado. Nem ela sabia o que iria acontecer por lá. Fui obrigado, com uma condição: eu decidiria a hora de voltar para casa. Ao chegar no evento, olhei para o palco e disse “Ana Clara, quem vai tocar é uma dupla sertaneja” (ela odiava sertanejo). “Você ta doido, Rafael; brega aqui é só você... deve ser uma bandinha de rock”. Quando os dois gordinhos entraram no palco cantando “Telefone Mudo”, ela quase morreu! Quis ir embora na hora. Lógico que fomos os últimos a sair...

6. Voar de Helicóptero sempre foi um sonho de infância (como de toda criança). Melhor ainda foi voar na aeronave da PM durante uma operação policial. Como eu filmava tudo, fiquei sentado na porta, uma grande aventura. Só faltou o Papai Noel ao meu lado.

7. O dia em que conheci Beto Carrero foi realmente emocionante. Pra não dizer mágico. Foi no parque em Santa Catarina. Hoje, mais crescido, não entendo o porque, mas aquele velhinho (pessoalmente ele era velho sim!) sobre o cavalo Faísca remetia aos heróis da infância, só que brasileiro.

8. “Faz arte não” é a frase que Vovó Pilar mais gosta de dizer. Para os netos, então... Na última década, com a turma crescida, ouvir recomendações como criança é algo divertido. Principalmente quando os conselhos vem acompanhados de “não solta foguete”, “não pule em cachoeira”, “não briga na rua”, “nem bebe cerveja”.

9. CQC é, com certeza, um dos programas mais geniais da TV na última década. Seu formato inteligente somado a repórteres/humoristas muito competentes, fizeram das minhas segundas-feiras bem mais alegres. Só não pode cair na mesmice de formato como aconteceu com o...

10. Pânico, na Rede TV, que, no início era muito bom, mas apelou demais com o tempo. Mesmo assim, o programa merece estar na minha lista de diversões da década. Gostava tanto de assistir que meu sogro, Seu Geraldo, jogava água na antena externa de sua casa para que a imagem ficasse melhor. Teve tanto trabalho que comprou uma parabólica.

11. Sou noveleiro, assumo. E Senhora do Destino foi uma das novelas mais bacanas da década. Nunca vou me esquecer da escada matadora de Nazaré Tedesco e do bicheiro feito por José Wilker. No último capítulo, pedi folga do evento que iria trabalhar para não perder nada.

12. Sequestro de Silvio Santos. Eu estava na escola quando o disciplinário me chamou dizendo que minha mãe havia me liberado da aula. Não entendi nada. Fui ao telefone público e liguei para casa: “Mãe, por que você me liberou? Eu não pedi?”. A resposta veio rápida: “Venha assistir um negócio na televisão. Silvio Santos foi sequestrado”. Até no dia em de seu sequestro, Silvio Santos conseguiu fazer um show. E eu assisti.



13. Foi no Forrock do Pitágoras, em 2001, que entendi como é difícil produzir um evento de grande porte. Pelo menos, foi nessa ocasião que eu assustei pela primeira vez ao ver mais de 15 mil pessoas assistindo o show de Ivete Sangalo. Lá também iniciei um hábito que me persegue até hoje: quando tudo está bem, o show acontecendo, vou até o final da platéia, seguro o queixo e admiro aquilo que ajudei a fazer. Vaidade também é diversão.

14. Também pelo Pitágoras, mas um ano antes, participei do Congresso Qualidade em Educação. Menino precoce, de 15 anos, pela primeira vez tive que usar sapato – e fiquei com o pé cheio de bolhas. Ganhei um celular emprestado para trabalhar e quase morri ao descobrir que o havia perdido dentro do taxi. Como sofri! Hoje, é motivo de gargalhada.

15. Não tem coisa melhor que dar susto na sogra. Ainda por cima se ela for a adorável Dona Lucia, nossa amada deretora, que adora soltar foguetes, principalmente em dias de festa! Mas ela toma todos os cuidados para não se queimar... No começo do namoro, eu era mais tímido – dava só uma cutucada na cintura pra ver a sogra pular. Com o tempo a coisa degringolou de vez. Hoje, vale até andar no escuro e fingir ser assombração. Janaína diz que qualquer dia vou matá-la, mas isso não vai acontecer. Na verdade, susto de genro é o que faz a sogra ficar mais feliz...


Confesso que tenho dó da Janaína...

16. Julho no Vale do Piranga foi um projeto que fizemos ano passado para as cidades de Catas Altas da Noruega, Piranga, Senhora de Oliveira e Rio Espera. Melhor que ver mais de 60 mil pessoas se divertindo é fazer parte do centro da “confusão”. Em todas as cidades, fiz como no Forrock: fui lá pra traz admirar aquele montão de energia pulante.

17. Foi em Maringá um dos Sempre Um Papos mais divertidos que tive a alegria de fazer. Foi com o poeta Fabrício Carpinejar, fonte recorrente neste blog. Conhecemos-nos em 2006 numa turnê por várias cidades. Mas ele se superou no Sul. Usou toda sua loucura, pra não dizer criatividade, e foi para a rua escrever poemas nas vitrines das lojas. E eu junto! Foi o maior – e mais divertido – mico de toda minha vida.

18. Mas não foi só em Maringá que Carpinejar me deu trabalho. Dois anos depois, já em BH, diante das câmeras de TV, ele me vestiu com uma peruca rosa... Os primeiros três segundos foram de pânico, depois entrei na brincadeira.



19. Outro Sempre Um Papo histórico (muitos deles estão nesta lista) foi com Fernanda Takai e John Ulhoa, do Pato Fu, em Cascavel, no Paraná. A aventura começou com um aviãozinho turbulento para chegar lá. Trocamos o restaurante chique por um comida a quilo no shopping. Pra terminar, apresentamos o evento sentados no chão, bem a vontade. Papo bom, público bom. Só não deu pra ver do fundo porque tinha que ficar no palco.

20. Titãs e Paralamas juntos no palco é uma overdose. Foi em 2008. Não sou muito fã do rock in roll, mas é impossível não gostar dessa composição musical. Cheguei no Chevrolet Hall todo arrumadinho e saí imundo de tanto pular.


Na próxima segunda, tem mais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

No Haiti, um desafio dobrado

Foi num passeio pelas cachoeiras de Pucon, no Chile, que conheci Leonardo Centella. Feliz, aos 28 anos, ele curtia como ninguém as férias com sua esposa, de 22, e o pequeno Sebastian, de cinco. A viagem era um presente para a família: dentro de poucos dias, o pai estaria embarcando para um grande desafio, ajudar na força de paz no Haiti.



Militar chileno, ele foi escalado para dar suporte às tropas da Onu naquele país. Coordenado pelo exército brasileiro, o trabalho consistiria (até então) em garantir a segurança e a ordem pública de um país marcado por tragédias. Violência, pobreza, golpes. Não faltava mais nada de ruim para acontecer com aquele povo que durante muito tempo ficou esquecido no mundo.

Nas nossas conversas no hostel onde estávamos hospedados, Leonardo falou muito sobre a expectativa da viagem. Seria verdadeiramente o maior desafio da sua vida. Nascido e criado no interior do Chile, numa terra onde pouca coisa acontece, ele disse estar com medo de passar seis meses em terras estranhas. Mas era a oportunidade de realmente fazer o que sempre sonhou, ser soldado.

“Espero voltar vivo” disse ele como todos aqueles que lutam em guerras.

Faz quatro dias que me despedi de Leonardo e sua família. Pelos meus cálculos, por um acaso, ou obra divina, ele ainda não está lá. Mas, com certeza, sua ida deve ser antecipada. Sua missão agora é outra: salvar outras vidas. Se antes a situação já era complicada, agora é extrema. Sem querer, o pequeno Sebastian vai carregar na sua história que teve um pai herói. Qualquer coisa, mínima que for, que Leonardo fizer no Haiti daqui pra frente, será digna de homenagens.



Talvez eu nunca mais voltasse a ver a família Centella, mas com todos os acontecimentos que acabo de ver na TV, eles não me saem da cabeça. Torço por eles e por todos os que já estão, ou ainda vão, fazer efetivamente o bem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Chave trifásica

Quando ainda pequeno, achava que o inglês era um mal necessário. Pensava: para ser o que eu quero, preciso dominar esse idioma. Na escola, sempre passava na recuperação. Por mais que eu estudasse, o segundo idioma nunca era prioridade.

Na adolescência, o medo virou pânico. “Como um jornalista não vai falar inglês”? Sempre que pensava no futuro, esbarrava no idioma. Entrei para mil cursos, esquecia tudo ao sair. Meu caso era psicológico.

Em 2006, enchi o saco de muitas perguntas e poucas respostas. Resolvi fazer um intercâmbio diferente. Fui trabalhar três meses em Orlando, limpando mesas no parque da Universal Studios. Objetivo 1: aprender inglês; 2: descansar.

Nos primeiros 10 dias de viagem, fiquei em pânico. Não entendia nada o que o povo falava comigo, me sentia um analfabeto em terra estranha. Por diversas vezes, pensei em voltar para o Brasil e assumir a minha burrice idiomática. Mas resolvi seguir em frente, estudando, estudando, estudando...

Certo dia, meus amigos Diogo e Julio, que dividiam o AP americano, me chamaram para um papo sério. A melhor forma de eu aprender o inglês seria largando os livros e começando a me divertir. O melhor conteúdo estava nas ruas, eles diziam.
Lógico que fiquei com mais medo, mas resolvi atender à sugestão dos amigos. A partir daquele momento, a missão seria apenas uma: divertir.

Descobri que o inglês não é um bicho de sete cabeças e, ao invés de pensar apenas no profissional, decidi que quero aprender para me comunicar com o mundo. E isso não é pouca coisa.

Dois anos depois, não me considero um falante em inglês, mas um virante. Ainda terei que aprender muito, mas sem stress. O maior desafio é pensar em inglês. Demorei muito para conseguir fazer isso. Tinha em mente que minha cabeça era uma chave: para cima inglês, para baixo português. Tudo bem que a chave gosta de cair de vez em quando...

Acabei contando muitas histórias e não entrei no foco do que queria compartilhar com você, amigo leitor. Com minha cabecinha bifásica, cheguei no Chile, onde o espanhol é o idioma. A chavinha já não mais funciona. Quero falar uma coisa em espanhol, sai em inglês. E aqui isso não adianta muita coisa... Acho que meu cérebro nunca trabalhou tanto. Mas está sendo muito interessante. O exemplo da viagem aos Estados Unidos está acontecendo também por aqui. Não quero aprender, quero divertir. Mas quando voltar ao Brasil, iniciarei as aulas de espanhol imediatamente!

Aliás, quando voltar ao Brasil vou fazer tanta coisa... espanhol, inglês, ginástica, dança... Essa história de coincidir viagem com início de ano é um problema. Cria-se um festival de intenções que quase nunca conseguem ser colocadas em prática.

Ah! Também vou ter que comprar uma chave trifásica para minha cabeça idiomática. Alguém sabe onde se compra?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Para as mães, filhos são sempre crianças

Não adianta, acontece nas melhores famílias. Para as mães, filhos são sempre crianças – e serão cada dia menores. Estamos em Santiago, Capital do Chile, fazendo uma viagem de férias em família: eu, mamãe e meu irmãozinho de 22 anos. Há mais de uma década que esses passeios de janeiro não aconteciam, portanto, a ocasião foi cercada de empolgação. Em resumo, a chefe da casa leva seus pimpolhos para passear e conhecer o mundo.

Acontece que a gente cresceu. E mamãe continua achando que nada mudou. Estamos apenas no terceiro dia de viagem mas, por diversas vezes, tivemos que repreendê-la por estar “arrumando” nossas malas (“ô, gente, é só para ficar mais organizadinho”...) ou mandando o Gabriel tomar banho. Sem falar na farmacinha de remédios que ela anda a tira-colo.

O mais divertido nisso tudo é observar a mamãe conversando com as pessoas nas ruas. Sem saber o idioma, ela se gaba não precisar dele, pois tem muita “simpatia” e sabe fazer mímicas. É uma comédia! Antes de pedir a informação (onde pegar o ônibus, por exemplo), ela se apresenta como numa reunião coletiva.
[sic]
-Buenos dias! Mi Simone, eu sou de Belo Horizonte, Brasil (sorriso!) Muito prazer,,,
- Si... (responde o guarda)
- Dio estoy viarando com mi hijos. Tienes dez años que non viaramos... (sorriso!)
- Ohhh
- Donde puesso pegar o ônibus?

Isso quando ela não faz igual à vovó Pilar: pega a gente pelo braço e sai mostrando pra todo mundo nas lojas – vendedoras, compradoras e até fornecedores!

É engraçado porque realmente estou me sentindo com 15 anos de idade, aquela época em que temos vergonha de tudo e todos. É mico! Mas é muito divertido.

A cena mais engraçada foi ontem, no Mercado Central de Santiago. Ao sentarmos na mesa para almoçar, mamãe chamou o garçom e soltou “Escuta aqui menino, esses dues son mi filhos. Son duas crianças, não comem nada... Só batatinha, carninha, peixinho... Tienes um prato infantil”?

Lógico que a gente quase morreu de vergonha.
E depois morremos de rir da situação.
Quer dizer, estou rindo até agora...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Vocabulário de Motel

Semana passada, um amigo esteve num motel na saída de Belo Horizonte para Sabará. Para ele, estar lá junto à esposa é um fato nobre, uma vez que o luxo não cabe no orçamento doméstico.

“Cama por cama eu tinha em casa” definiu o simpático amigo. Então, como em qualquer relação de consumo, foi preciso pesquisar e analisar o custo-benefício. Na mesma avenida tinham diversas opções. Placas externas com preços e fotos são raras nesses casos. Era preciso entrar, encarar a moça da recepção e, se não gostar, dar meia-volta no carro. Foi isso que ele fez diversas vezes. Até aí tudo bem, acontece nas melhores famílias. Mas a graça no caso do meu amigo está que ao entrar em um desses estabelecimentos, uma jovem senhora abraçada à uma prancheta o abordou. Ao “vender” o seu peixe, ela assim descreveu o quarto: “decoração moderna, televisão moderna...”

Com tanta modernidade, o casal decidiu passar sua rara noite de amor fora de casa seguindo o conselho da experiente recepcionista. Estacionaram o carro; o portão automático fechou. Ao abrir a porta, tudo colorido. Nas paredes, descritas como modernas, uma pintura de onça contrastava com os móveis vermelhos. “Mais parecia um bordel” definiu o amigo.

Lógico que eles voltaram pra casa. Nem sei se a noite foi realmente de amor.

A história de meu amigo veio à cabeça após um momento de ócio na internet, digna de um sábado pós-Natal. Comecei a pesquisar os sites de motéis. É interessantíssimo como tudo é mais bonito na foto que pessoalmente.

Mais engraçado, então, são as descrições das suítes. Todos têm cama (lógico!), chuveiro com água quente (alguém sairia de casa para tomar banho frio no motel?), toalhas e frigobar. Para deixar tudo com mais glamour, alguns nomes são substituídos por outros mais “estrombólicos”.

No vernáculo do motel, ar condicionado é condicionador de ar; aquele aparelho de CD de carro, adaptado e instalado no criado mudo é chamado de som a laser. Dependendo da cor da parede, as suítes são batizadas como japonesas, árabes, indianas e até mesmo reais.

No motel, cama quadrada é diferencial. Espelho no teto nem tanto.

Na descrição dos quartos, parece que quanto mais linguiça você encher, melhor será a impressão sobre a suíte. Há quem escreva que o quarto tem “iluminação especial” e até mesmo “hidro com fibra óptica”.

O que seria uma hidro com fibra óptica? Qual tipo de dado será que ela transmite? Se a velocidade for rápida, deve ser uma ejaculação precoce nos tempos do avanço tecnológico.

A gente vê cada coisa por aí... Pelo menos vira texto pro blog.