segunda-feira, 2 de novembro de 2009

É preciso ter paciência

Filosofando um pouquinho...

Anteontem, uma amiga reclamava sobre o esforço que é criar dois filhos. Muito barulho, bagunça pra todo lado. O mundo para por causa dos pequenos. Mesmo com tanto trabalho, é difícil alguém perder a paciência. “Eles são assim mesmo”, pensamos e dizemos. “Um dia eles vão crescer e vão cuidar da gente”, esperamos.

Nasci. Dei trabalho e é isso que esperam de mim: que eu retribua a paciência num futuro não tão distante. É assim nas melhores famílias. Na minha, ela já está batendo à porta.

Muitos sabem que moro com meu avô. Nos últimos 12 anos, nos tornamos grandes companheiros. Assistimos juntos “Roque Santeiro”, passeamos pelas ruas do Centro, cozinhamos, viajamos. Certa vez, o convenci a vestir de cantor de funk para gravar um vídeo de comédia. Mas a cada dia que passa, seus sorrisos ficam cada vez mais escassos. Acordo pela manhã e ele não fala mais bom dia. Quando não reclama, fica em silêncio. Aos poucos, aquele avô de antes vai se tornando uma sombra, que anda de lá pra cá carregando uma bengala de madeira.

Ele está envelhecendo... É uma constatação triste, mas natural. Aquela paciência que alguém teve para comigo, agora tenho que ter com alguém. E, neste momento, é com ele. Tem horas em que respiro fundo, penso três vezes antes de respondê-lo. Nem sempre consigo. Mas é o ciclo da vida, e não estou nem na metade dele.

Hoje, na TV, vi um comercial que me tocou profundamente. Em cena, o “filho de Francisco”, que incorpora um impecável narrador numa historinha bem comum nas nossas famílias. Vale a pena assistir...

video

Ainda bem que temos um couro para aqueles que amamos.
Mesmo com tudo que eles fizeram no passado, eles merecem um pedaço.

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