Na bolsa de toda boa mãe de primeira viagem não pode faltar a chupeta, a mamadeira e o telefone do pediatra: do consultório, residência, celular, casa da sogra, até o clube onde ele frequenta. Qualquer espirro, mexidinha na cama, um chorinho com tom diferente. Aquela coisinha frágil que docemente chamamos de bebê precisa de um guardião com diploma na parede. E é nele que os pais confiam.
Meu pediatra, assim como o de todos os mais de 20 primos e primas que tenho, é o Dr. Guilherme Masci. Ele é famoso pela competência e pelo chá de cadeira que dá nos pais na sala de espera de seu consultório. Ele atrasa, porém, suas consultas são famosas, justamente porque ele não se preocupa com o tempo. Ouve o coração, mexe os pesinhos, checa cada articulação, pesa, anota, aconselha a mãe histérica. Tira até retrato. No passado, ele era muito gordão, vivia com a calça caindo e com a barba por fazer. Mas isso não era suficiente para abalar sua credibilidade.
Certa vez, Doutor Guilherme chamou todos os primos/pacientes para uma visita à Toca da Raposa. Foi hilário! Tiramos foto, pedimos autógrafos, até batemos uma bolinha com os craques cruzeirenses da década de 80: Roberto e Renato Gaúcho. Naquela época, um menino de nome Ronaldinho começava a fazer sucesso. Nem imaginávamos que hoje o chamaríamos de fenômeno.

Doutor Guilherme é o que podemos chamar de “Médico de Família” – e da família também. Prova disso é que hoje ele é o pediatra do primeiro filho da segunda geração de clientes da safra Silva Araújo. Joaquim, filho de Daniel, é seu mais novo paciente. No mesmo consultório, talvez na mesma balança em que pesava o pai, quando bebê, ele cuida do filho.
O paciente cresceu, virou cliente. Doutor Guilherme emagreceu, as calças continuam caindo, porém, permanece o carinho e a admiração pelo médico número um da nossa família.