Passeando pela Leitura do BH Shopping no último sábado, fiquei alguns minutos namorando a capa do novo livro do jornalista Alberto Vilas, que tive a alegria de conhecer pelas minhas andanças no Sempre Um Papo. Gostei da capa, do título, corri o olho na orelha, viajei no sumário. Genial!. Tirei o escorpião do bolso (que não sei porque gosta demais de sair numa livraria) e comprei. Em casa, a rede da varanda foi o lugar ideal para me deliciar com essa gentileza literária.Gentileza literária mesmo!
Alberto Vilas é especialista em viver o passado bom. Aquele que realmente “passa” pela nossa infância, deixa uma marquinha na memória e um tantão de saudade. É uma lembrança boa, daquelas que nem pensamos em levar para as sessões de terapia. Ela só aparece nos bons momentos – seja na mesa do bar ou na mesa de jantar da casa de nossos avós. Nesse “Admirável Mundo Velho”, o autor lista 100 expressões que estão caindo no esquecimento. Só de registrá-las em um livro já seria interessante. Porém, cada termo vem acompanhado de uma historinha do passado, bem no estilo mineiro.
Alguns desses “verbetes” ainda fazem parte do meu vocabulário de gírias idosas, mas outras surgem como novidades. Vovó Pilar deve saber todas e, com certeza, renderia um livro paralelo com suas próprias histórias.
Algumas palavras e expressões do livro que não saem da ponta da minha língua:
Fiquei encafifado (quando alguém fala alguma coisa com duplo sentido)
Quantas notas vermelhas você tirou? (esqueço que tudo agora é virtual)
Chá de cadeira (é o que tomo na maioria das vezes que vou à Dra. Marcela)
Com a pulga atrás da orelha (fico quando o sexto sentido aparece)
Jururu (homenagem à querida Ray)
Marmota (homenagem ao amigo Diogo)
Ir à casinha (lá na casa da Dona Sogra)
Prafrentex (já disseram que eu sou)
Benzadeus (é herança de família)
Tirar uma casquinha (isso é coisa de vovô Alaor)
Sossega leão (é o que a mamãe toma todo dia de manhã)
Bem bolado (vem sempre acompanhado de uma gargalhada do Silvio Santos)
Voltando ao autor, é impressionante como o Villas escreveu tanta coisa legal em tão pouco tempo. Em 2006, lançamos no Sempre Um Papo “O mundo acabou”, com textinhos sobre objetos que desapareceram. Gostei tanto que já presenteei mais de 10 amigos com um deles. E lógico que a mamãe roubou o meu. Ano passado, Villas compartilhou novamente suas lembranças em “Afinal, o que viemos fazer em Paris?”. Ele só errou quando disse que o guaraná Mate Couro acabou... Mas ele merece desconto, afinal, mora em São Paulo há décadas e não tem mais o privilégio de tomar o “mate de mineiro” em qualquer botequim de esquina.

Sempre Um Papo, 2006. Eu tinha mais cabelo nessa época...
É... Museu tende mesmo a ser coisa popular no futuro. Com tecnologia e a tal de globalização as coisas tendem a virar passado com muita facilidade. Ontem mesmo aconteceram no mundo mais fatos relevantes que no ano inteiro de 1921 (chute total!). Pois é, se as máquinas nos ajudam a poupar tempo, onde foi parar o tempo que deveríamos ter ganhado? Não é que o Villas já está escrevendo um outro livro pra falar disso... Sai em 2010.
Acabou que indiquei quatro livros desse nosso escritor-nostalgia. Então, amigo leitor, ignore o título deste texto e substitua por “Saudade do lado bom da vida que passou”. Acho que vai ficar melhor.





