sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Big Brother é aqui

Nunca foi tão fácil fazer jornalismo de televisão.

Ontem à tarde, um garoto roubou a bolsa de uma senhora na Avenida Tereza Cristina, às margens do ribeirão Arrudas, em BH. Ao ver que estava cercado pela polícia, o infrator não teve alternativa – pulou no rio! O que era para ser uma ocorrência policial virou situação de salvamento, pois os bombeiros tiveram que resgatar o menino lá de dentro.

Até aí tudo bem, não fosse as câmeras de vigilância da BHTRANS que filmavam tudo, com direito a close, e distribuíram instantânea para todas as emissoras de TV. Graças às imagens, o fato virou notícia nos telejornais da noite.

É interessante como as grandes cidades se tornaram um grande Big Brother. Além das câmeras de trânsito, BH também está cheia de pequenas bolas de vidro instaladas em locais de grande circulação, com monitoramento da polícia. E isso adianta no combate ao crime! Nas lojas, prédios, shoppings, shows e, talvez, até na porta da sua casa, alguém pode estar te observando. Aquelas placas de “sorria, você está sendo filmado” nem são mais necessárias. Isso já é banal.

Lembra daquele filme “O Show de Thruman; o Show da Vida”. Sem ficção, estamos na mesma do personagem de Jim Carey. Pelo lado jornalístico, isso é muito bom, mas confesso que tenho medo de que um dia a privacidade humana seja desrespeitada.

Uma vez, vi um maluco na Praça Sete pregando que os Estados Unidos tinham satélites capazes de filmar o que a gente estava comendo dentro de casa, tamanho era o seu poder mundial. Do jeito que as coisas andam, em breve, não será preciso ser tão poderoso para saber o que acontece entre nossas quatro paredes.

De toda forma, já vou avisando: não como salada!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Do puxão de orelha, a reação

“Proveitanu release no blog, né... Ta precisando escrever pur robby i pru blog... Lembra que você gosta disso???”

O comentário acaba de chegar em minha caixa de mensagens. Destinatário: Janaína Lucia de Magalhães Santos. E não é que ela tem razão!

Já haviam me dito que, num determinado momento, o tesão do blog diminui e ele acaba abandonado. Acontece nas melhores famílias blogueiras. Não na minha! Assim como a Jana disse, aqui, as idéias vão para a tela do computador porque eu gosto. E muito. Porém, tenho feito tantas coisas que, não só falta tempo para escrever como também sentir a bobagem por trás das histórias que aqui relato.

Não vejo vovó Pilar faz mais de um mês...

É uma fase, dizem os mais velhos. É hora de pisar no acelerador e fazer a Árvore de Comunicação funcionar com perfeição. Estou feliz – os clientes são bons, as pautas também, e os resultados surpreendentes.

Mas isso não é justificativa, amigo leitor. Apesar de trabalhar muito, com pouco tempo para escrever aqui, as coisas pitorescas continuam surgindo no meu dia. Acreditem que, semana passada, acompanhei o enterro de um casal que morreu com a diferença de três horas um do outro? E um não sabia da morte do outro...

Os detalhes, contarei na próxima semana.

Para a Jana, obrigado pelo “puxão de orelha” virtrual, assim como os físicos que recebo diariamente de Annynha e Flavinha. Para vocês e os 130 internautas que entraram nesta página ontem e nada viram de diferente, a máquina voltará a girar!

Como diz o Quintão, isso dá pra fazer...

domingo, 4 de outubro de 2009

Bullyng: muito mais que um simples apelido

A palavra é inglesa, sem tradução exata para o português. O tema é novo no Brasil; porém, sua importância é cada vez mais pesquisada nas escolas e universidades de todo o mundo. Bullyng é a troca de insultos, morais e físicos, entre pessoas de uma mesma faixa etária. Sua existência está em toda a sociedade, mas é na escola que os especialistas mais se preocupam em estudar e, principalmente, prevenir sua existência – já que se trata de um local de formação da consciência humana. Mas esse fenômeno pode acontecer também em outros espaços de convivência social. No mundo dos adultos, tem outro nome: assédio moral.

O bullyng na escola começa com um simples apelido, um puxão de cabelos, tapas, discriminação e, em casos extremos, pode levar até a morte. É o caso da escola Columbine, nos Estados Unidos, onde alunos de 16 anos, armados, mataram colegas e professores. O motivo: todos faziam “chacota” de seus atos e questionavam os dons musicais dos futuros assassinos. “É uma violência que não deixa marcas na pele, mas fere a alma, que dificilmente é cicatrizada”, afirma a professora paulistana Cléo Fante, uma das primeiras a pesquisar o bullyng no Brasil.

Em todo o mundo, estima-se que 350 milhões de crianças sejam vítimas de violência nas escolas. Apesar das instituições estarem cada vez mais protegidas dos perigos exteriores – com câmeras de vigilância, cercas elétricas e até homens armados – outros perigos, bem mais silenciosos, acometem crianças e jovens.

No ambiente escolar, as vítimas de bullyng normalmente estão entre o 6º e 8º ano do Ensino Fundamental. A recorrência é maior entre crianças e adolescentes tímidos, com baixa estima e muito medo. Medo de se defender e até mesmo de contar às famílias sobre o assédio sofrido. “Ele nasce da recusa da diferença”, complementa Cléo. Alunos que se destacam nas notas também são alvos fáceis.

Um dos critérios que diferenciam o bullyng é justamente a ausência de motivos que justifiquem o ataque. “Brincadeira é quando todos se divertem e não há exclusão de ninguém”, pondera a escritora. O professor, na maioria dos casos, tem dificuldade de entender quando é brincadeira ou não. Para Cléo Fante, tanto as vítimas quanto os autores emitem sinais, e é preciso entendê-los para prevenir as agressões. “Na maioria das vezes, a truculência na escola é reprodução de algum trauma que acontece em casa”.

Segundo Cleo Fante, o desafio é construir uma cultura de paz. E isso deve começar com uma postura de gentileza de cada um de nós – o primeiro passo para semear o respeito e a empatia. Além disso, as reações diante de um fato negativo devem ser levadas em consideração. “O autor de bullyng precisa de platéia para praticar seus atos. Ele busca aplausos. Temos que fazer com que ele se envergonhe de seus atos”, destaca. Alguns municípios brasileiros já possuem uma legislação específica que pune os responsáveis por esse tipo de violência urbana.

A televisão é um dos grandes responsáveis pela difusão desse tipo de brincadeiras que desrespeitam o próximo, principalmente as minorias. Obesos, homossexuais, loiras e negros são alvos fáceis para os programas humorísticos. O bordão “Pedala, Robinho”, seguido por um tapa na nuca, se alastrou rapidamente entre os adolescentes e já causou duas vítimas fatais. O recado é simples e direto: semear uma cultura de respeito é urgente e necessária para diminuir a violência em espaços que devem primar por uma convivência saudável.