
Ontem foi o dia de conhecer Teófilo Otoni. Mais de 500 quilômetros a dividem de Muriaé, porém pouco mudou no quesito calor. Basta uma voltinha ao redor do hotel para ficar completamente molhado. “E olha que hoje ta fresco”, minimizou o nosso cicerone local.
Foi durante o lanche num trailer de sanduíche que descobri a grande novidade da viagem. Aqui em Teófilo Otoni a sensação dos bares é um refrigerante regional – e exclusivo. Trata-se do Mate Cola, produzido na própria cidade, há 60 anos ininterruptos. São garrafinhas verdes, menores que as convencionais, com capacidade para 190 ml, e conteúdo feito de “mate e chapéu de couro, com aroma artificial de framboesa”.
Imaginou?
Lógico que eu tomei... Na prática, o gosto parece com aqueles tubaínas que a gente tomava nas festas de casamento na roça e que, infelizmente, foram compradas e fechadas pela Coca-Cola.
Aliás, todos os donos de bares com quem conversei garantiram que, em Teófilo Otoni, Mate Cola vende mais que Coca-Cola. “O povo gosta do que é daqui”, garantiu um deles.
Fiquei tão impressionado com a “repercussão” e o “sucesso” do Mate Cola que comprei uma garrafinha pra mostrar pra todo mundo na palestra. Lógico que todo mundo já conhecia e, ainda por cima, me deram uma aula sobre a estratégia de marketing do refrigerante “que não quer romper os limites regionais”. Virou case de sucesso.
Ah! Já ia me esquecendo... Eles também disseram que o Mate Couro, na verdade, é uma cópia do Mate Cola. Segundo os moradores, o dono do refrigerante “mais mineiro” de BH, na verdade, era um ex-funcionário da fábrica de Teófilo Otoni e que teria “afanado” da fórmula mágica. Verdade ou mentida, não sei. Mas entrou para o folclore da região. A partir de agora, na mesa do meu escritório, além da imagem de Nossa Senhora das Graças, das duas canecas cheias de lápis e canetas multicoloridas, terei mais um objeto de decoração lúdica: a garrafa de Mate Cola, importada de Teófilo Otoni.
(não vejo a hora de dormir na minha cama...)


