quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pelos quatro cantos de Minas – parte 6




Ontem foi o dia de conhecer Teófilo Otoni. Mais de 500 quilômetros a dividem de Muriaé, porém pouco mudou no quesito calor. Basta uma voltinha ao redor do hotel para ficar completamente molhado. “E olha que hoje ta fresco”, minimizou o nosso cicerone local.

Foi durante o lanche num trailer de sanduíche que descobri a grande novidade da viagem. Aqui em Teófilo Otoni a sensação dos bares é um refrigerante regional – e exclusivo. Trata-se do Mate Cola, produzido na própria cidade, há 60 anos ininterruptos. São garrafinhas verdes, menores que as convencionais, com capacidade para 190 ml, e conteúdo feito de “mate e chapéu de couro, com aroma artificial de framboesa”.

Imaginou?

Lógico que eu tomei... Na prática, o gosto parece com aqueles tubaínas que a gente tomava nas festas de casamento na roça e que, infelizmente, foram compradas e fechadas pela Coca-Cola.

Aliás, todos os donos de bares com quem conversei garantiram que, em Teófilo Otoni, Mate Cola vende mais que Coca-Cola. “O povo gosta do que é daqui”, garantiu um deles.

Fiquei tão impressionado com a “repercussão” e o “sucesso” do Mate Cola que comprei uma garrafinha pra mostrar pra todo mundo na palestra. Lógico que todo mundo já conhecia e, ainda por cima, me deram uma aula sobre a estratégia de marketing do refrigerante “que não quer romper os limites regionais”. Virou case de sucesso.

Ah! Já ia me esquecendo... Eles também disseram que o Mate Couro, na verdade, é uma cópia do Mate Cola. Segundo os moradores, o dono do refrigerante “mais mineiro” de BH, na verdade, era um ex-funcionário da fábrica de Teófilo Otoni e que teria “afanado” da fórmula mágica. Verdade ou mentida, não sei. Mas entrou para o folclore da região.

A partir de agora, na mesa do meu escritório, além da imagem de Nossa Senhora das Graças, das duas canecas cheias de lápis e canetas multicoloridas, terei mais um objeto de decoração lúdica: a garrafa de Mate Cola, importada de Teófilo Otoni.

(não vejo a hora de dormir na minha cama...)

Programa divertido para este domingo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ta faltando assunto?

Só pode. É incrível o espaço dado pela imprensa brasileira à “pobre” estudante de turismo, Geysa Arruda, tão “injustiçada” ao ir para a universidade somente de blusa. No meu vocabulário, vestidinho daquele tamanho é blusa. Nem pra camisola serve.

Não quero dar mais visibilidade pra moça – até porque é isso que ela quer – mas, pelamordedeus, aquele vestido vermelho já deve estar quase furando, porque é um tal de todo mundo querer filmá-la e fotografá-la que deus me livre.

Do Jornal Nacional ao Casseta e Planeta. Todos querem a moça, seus cabelos tingidos e sua boca carnuda...

Ainda tem o pior: nas entrevistas, ela faz questão de dizer “sou gostosa sim”, “sou bonita sim”...

Gente, quem contou essa mentira pra ela? Janaína fala que eu tenho um puta mau gosto, mas achar aquilo ali bonita, nem eu.

Para os amigos jornalistas que lêem este blog, por favor, procurem algo melhor pra divulgar! Tem tanta gente boa nesse mundo, fazendo o bem... Tem mulher gostosa de verdade andando por aí... Diamantes para serem lapidados! Pra que jogar purpurina em algo que não vale a pena?

Anotem isto: daqui a dois anos, essa tal de Geysa estará uma porca de gorda (mas com um decotão, claro), chorando no programa da Luciana Gimenez, dizendo “meu dinheiro acabou”, “meus amigos sumiram”, “a mídia não me procura mais”, “estou tratando de depressão”...

Sabe quando um grande amigo seu bebe muito, acaba beijando a mulher mais feia da festa e, no dia seguinte, tenta esconder de todo mundo a meleca que fez? Pois é, no futuro, nós, jornalistas, vamos tentar apagar da nossa história o espaço que demos pra esse tipo de gente.

Merecemos e temos que fazer coisa melhor.

Pelos quatro cantos de Minas – parte 4

Lembra daquela marchinha de carnaval: “alalaooooooo, mas que calooooorrr”? To cantando isso o dia inteiro... Ontem foi a vez de conhecer Muriaé, terra de meu querido amigo Afonso Borges, que tem a maior prefeitura que já vi. É um prédio gigannnte, que parece um bolo de casamento daqueles redondos. Embaixo, a rodoviária municipal. Tudo muito bem feitinho – mas grande demais!

A cidade é muito bonitinha, com prédios históricos restaurados – é o caso do antigo Grande Hotel, hoje espaço cultural – e uma vida comercial bastante ativa. O que mais me impressionou foi justamente o calor. Nunca na minha vida corri tanto atrás de um ar condicionado como lá. Nas lojas, no restaurante, no auditório; todos queriam se refrescar com aquele ventinho gelado. Ao sair, dava até susto... Aquela onda de calor fazia até embaçar os óculos.

Mas o que mais me impressionou em Muriaé foi um raizeiro muito engraçado que vendia “garrafadas” de ervas no meio da praça. Sentado num banquinho sobre uma lona preta, cheia de bacias com ervas de todos os tipos, aromas e funções, ele insistia que aquele “líquido precioso” curava tudo: stress, reumatismo, gastrite, impotência... Só faltou dizer que resolvia problema de unha encravada e deixava as pessoas mais gentis. Tudo isso, pela bagatela de 10 reais. Com sotaque nordestino, ele fez um verdadeiro show ao ar livre, com um sistema de som improvisado e um microfone preso ao peito como aqueles do Silvio Santos – só que feito de arame e fita crepe.




“O que são 10 reais, minha amiga? Antigamente, com 10 reais você comprava uma fazenda. Hoje, não dá pra fazer mais nada... Então você fica com problemas de saúde, porque ta tudo muito difícil, né? Ai é só comprar essa garrafada, tomar dois dedinhos disso aqui por dia, que a senhora vai ver: sua vida vai melhorar”.

Gente, e não é que o povo compra mesmo!!!

Seguindo o roteiro turístico que acabei de inventar – “calor de Minas” – agora estou em Governador Valadares, pit stop para Teófilo Otoni, nosso destino de amanhã.

Essas Minas Gerais...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pelos quatro cantos de Minas – Parte 3



A segunda semana do meu circuito “turístico-trabalhistico” começou por Lavras. Cidade universitária, bonita, bem cuidada. Trabalhei tanto no hotel que nem tive tempo de passear. Mas, num rápido city tour na hora do almoço deu pra conhecer um pouco do território-sede da UFLA.

Hoje, o destino oficial era Passos, onde amanhã faço palestra no auditório da universidade local. Porém, com o dia teoricamente “ganho”, optamos por um caminho alternativo para conhecer o tão famoso lago de Furnas. Gente, realmente, aqui é a praia dos mineiros. Que lindo! A água azul, cercada por mata, sem poluição nem construções irregulares... Sem falar nas belas estradas privatizadas (sou muito mais pagar R$1,10 para andar num tapete, que desviar de buracos a cada 10 metros).

Capitólio. Se você ainda não conhece essa cidade, vale pesquisar e visitar.



Imagine comer um peixinho com uma vista como esta... parece praia, mas nao é.

Na hora de almoçar, fomos comer a famosa traíra desossada (ou sem espinhos, como você achar melhor), no restaurante Turvo. É inexplicável a delícia do negócio, ainda por cima acompanhado de arroz piamontês e batata frita.

Pela primeira vez, realmente fui bem atendido por um garçom com atributos de guia turístico, o Anderson, com apenas oito meses na casa, mas é um velho conhecido da turma. A mãe dele é cozinheira do restaurante há duas décadas. “Ele cresceu aqui quebrando os vidros dos vizinhos”, contou o dono do restaurante, Luiz, que, após o almoço, foi o nosso gentil-cicerone pela aconchegante Capitólio.

Depois da rápida digestão, fomos à cachoeira dos Lobos, a 13 km do Centro. Além de uma queda d´água de dar medo – e vontade de entrar logo lá embaixo – suas corredeiras se transformam em verdadeiras piscinas com hidromassagem. Sem gastar energia!

Depois de um belo banho, um café nos esperava na sede da fazenda. Hummmm... Bolo de banana, rapadura, pão de queijo, além de um exótico queijo de búfalo – muito gostoso por sinal. Na hora de se despedir, uma placa chamou atenção: “da natureza, só se leva as fotos”. E as boas lembranças também, completo.

Agora escrevo de Passos, cidade grande que quero conhecer amanhã. Isso se o trabalho habitual da Árvore deixar, claro! Fim de ano trabalhoso e abençoado este...

domingo, 8 de novembro de 2009

Pelos quatro cantos de Minas – Parte 2

A próxima parada da caravana turístico-educativa pelo interior do estado mais diverso Brasil é em Janaúba, no Norte de Minas, cerca de 150 km depois de Montes Claros.

Como faz calor aqui! Por diversas vezes, quis pegar o primeiro carro e ir correndo pra Porto Seguro. Olhei até no mapa! Se traçarmos uma linha reta de Janaúba em direção ao mar, chegamos na Capital do “No Stress”.

Fico impressionado como algumas coisas são tão diferentes, mesmo estando no mesmo estado. Noite passada, troquei o jantar com a galera por uma volta a pé pelo Centro de Janaúba. Fui parar numa pracinha bem simpática, cheia de mesinhas e três carrinhos de cachorro-quente. Cada um com uma TV 20 polegadas para que todos pudessem assistir aos jogos do Brasileirão. Até aí tudo normal, não fosse o tipo do sanduíche oferecido...

O sucesso por aqui é um cachorro-quente gigaaaaante, servido com garfo e faca, com direito a uma concha de molho por cima do pão e uma farta cobertura de catupiry e catchup. Dentro dessa “montanha”, além da tradicional salsicha, o “quase x-tudo” leva mussarela, batata, milho, tomate, frango desfiado e uma generosa porção de mortadela ralada. E o povo come com vontade!

O processo de produção da iguaria é como qualquer fast food. Três moças se dividem como numa linha de produção: uma coloca a salsicha, outra completa com o recheio e a terceira faz o acabamento final. Caso o cliente queira, o sandubão pode vir “salpicado” com um pouquinho de orégano.

Gente, o negócio parece ser muito, mas muito gostoso. O povo come com uma cara boa... Se o time de futebol tiver ganhando então, é literalmente um prato cheio. Como estou de regime, me contentei com a versão mais simples do hot dog, bem parecido com o que como sempre lá no Toninho, em Contagem.

A próxima parada será em Lavras. Até lá!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Roberto vem aí (de novo)

Seguranças se preparem. Vovó Pilar vem aí com força total. Ela vai fazer o que for preciso para abraçar o Rei Roberto Carlos no show que acontece sábado, dia 14, no Mineirinho.

Desde que ficou sabendo do show, Vovó acorda e vai direto para o calendário marcar mais um xis. Faltam poucos quadradinhos para o tão esperado dia. O ingresso já está comprado e será no ponto mais nobre do ginásio, ao custo de 585 reais.

Sim. Vovó fez uma vaquinha para angariar o dinheiro do ingresso. Ela acha que pagando um preço tão alto não será possível que um segurança vá implicar com ela. Ainda mais em consideração aos seus 70 anos. Se nada adiantar, a solução será agarrar com toda a força a medalhinha de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Ela, sim, tudo pode.

Para divertir a nossa semana, fiz uma entrevista com Vovó Pilar em homenagem aos inúmeros fãs que ELA tem aqui neste blog. Guarde cinco minutos do seu dia para ouvir essa figurinha que tenho orgulho de chamar de Vó.


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Se você não viu - ou quer ver novamente - a saga de Vovó Pilar no show do ano passado, clique aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pelos quatro cantos de Minas – Parte 1




Começou hoje uma temporada de viagens pelos quatro cantos de Minas Gerais. A convite da Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais – Fecitur – vou percorrer 10 cidades em pouco mais de 20 dias para ministrar palestras sobre comunicação e turismo. É uma verdadeira maratona, uma vez que as cidades são muito distantes umas das outras, mas estou animado.

Hoje escrevo de Três Marias, cidade que se orgulha de ter uma praia de água doce, a represa da hidrelétrica da Cemig, construída na década de 1960. É como uma praia mesmo, com direito a calçadão, quiosques e shows de axé nos finais de semana. Não tivemos muita sorte durante o breve passeio: o calor insuportável que se fez presente durante todo o dia, justamente na hora do famoso pôr do sol, resolveu dar espaço a uma imensa e tenebrosa nuvem negra. Junto dela, chuva e muito, mas muito vento.

Abrigado sob uma barraquinha, tive a alegria de ver um legítimo arco-íris saindo da represa. Existiria um pote de ouro lá no alto? Confesso que, por alguns segundos, minha imaginação voltou aos cinco anos de idade.



Como sempre, quis saber de onde vem esse nome, Três Marias. O vídeo institucional da Prefeitura fala que é por conta de três irmãs que muito bem recebiam os tropeiros. Em off, tive que perguntar: seriam essas moças realmente moças? Parece que não... Mas a história da origem do nome da cidade também tem outras três versões: há quem diga que seriam três irmãs que morreram afogadas durante o alagamento da represa, nos anos 60, assim como quem defenda que é uma referência direta à Constelação de Órium, referência dos tropeiros no passado. Também tem a versão mais simples e óbvia: o nome da cidade é por conta de uma cachoeira, com três quedas. Confesso que acredito mais na versão das raparigas...

Na minha palestra acho que fui bem. Pelo menos muita gente elogiou. Como sempre, não perdi a oportunidade de contar as histórias de Catas Altas da Noruega e de tudo que estamos fazendo naquela região. A platéia riu muito com as historinhas de duplo sentido, erros comuns na comunicação. Ao final, o Sr. Pedro Rangel me contou uma história divertidíssima. Num passado não muito distante, em Bom Despacho, o candidato mandou pintar no muro: “Para Prefeito, Haroldo Queiroz: areia, pedra e brita pra nós”.

Muitas outras histórias virão. Amanhã cedo viajo para Janaúba. Conto pra vocês depois.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

É preciso ter paciência

Filosofando um pouquinho...

Anteontem, uma amiga reclamava sobre o esforço que é criar dois filhos. Muito barulho, bagunça pra todo lado. O mundo para por causa dos pequenos. Mesmo com tanto trabalho, é difícil alguém perder a paciência. “Eles são assim mesmo”, pensamos e dizemos. “Um dia eles vão crescer e vão cuidar da gente”, esperamos.

Nasci. Dei trabalho e é isso que esperam de mim: que eu retribua a paciência num futuro não tão distante. É assim nas melhores famílias. Na minha, ela já está batendo à porta.

Muitos sabem que moro com meu avô. Nos últimos 12 anos, nos tornamos grandes companheiros. Assistimos juntos “Roque Santeiro”, passeamos pelas ruas do Centro, cozinhamos, viajamos. Certa vez, o convenci a vestir de cantor de funk para gravar um vídeo de comédia. Mas a cada dia que passa, seus sorrisos ficam cada vez mais escassos. Acordo pela manhã e ele não fala mais bom dia. Quando não reclama, fica em silêncio. Aos poucos, aquele avô de antes vai se tornando uma sombra, que anda de lá pra cá carregando uma bengala de madeira.

Ele está envelhecendo... É uma constatação triste, mas natural. Aquela paciência que alguém teve para comigo, agora tenho que ter com alguém. E, neste momento, é com ele. Tem horas em que respiro fundo, penso três vezes antes de respondê-lo. Nem sempre consigo. Mas é o ciclo da vida, e não estou nem na metade dele.

Hoje, na TV, vi um comercial que me tocou profundamente. Em cena, o “filho de Francisco”, que incorpora um impecável narrador numa historinha bem comum nas nossas famílias. Vale a pena assistir...

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Ainda bem que temos um couro para aqueles que amamos.
Mesmo com tudo que eles fizeram no passado, eles merecem um pedaço.