“Você não dorme”, foi a primeira frase que disse ao conhecer o escritor Moacyr Scliar. O ano era 2005, auge das viagens pelo Sempre Um Papo, a maratona mais gostosa da minha vida – que durou sete anos.
O motivo da minha surpresa ao apertar a mão daquele escritor “com cara de bonzinho” era o volume de livros que ele já havia escrito – naquela época, já passava de 70. Mas ele também era médico, atendia aos pacientes, escrevia para jornais e revistas e, ainda, viajava pelo Brasil fazendo palestras. Tudo com uma cara boa... sempre disponível!
Viajamos pelo Brasil para bater papo sobre literatura. Além de vários eventos em BH, fomos para Curitiba, Londrina, Belém, Brasília, Rio de Janeiro. O último encontro foi em Ipatinga, em 2008, quando peguei uma gripe de lascar. Ao me ver ardendo em febre, Moacyr deixou de lado sua profissão de escritor: checou minha pressão e foi até à farmácia comprar remédio para mim. “Esqueceu que eu sou médico? Nem vou te cobrar a consulta”.
Na memória, além de tudo que aprendi, ficará uma célebre troca de palavras, super comum entre nós após os eventos:
- Moacyr, o que você quer comer no jantar?
- Ah, Rafael, uma coisa leve... Quem sabe uma pizza?
- Assim, churrasco também é leve.
- Ah, então vamos comer uma carninha.
Nesta semana, foi-se mais um escritor. Sua história, assim como suas histórias, estão muito bem guardadas em dezenas de volumes, ainda bem.
Veja o programa Sempre um Papo que fizemos em 2008:
terça-feira, 1 de março de 2011
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